Com a evolução tecnológica e o surgimento do streaming, os especialistas cada vez mais repetem a pergunta: Qual será o futuro do cinema? O crescimento do serviço on demand que antes era voltado para a reprodução de conteúdos de outras distribuidoras, fez com que surgissem produções exclusivas em cada plataforma. Chegando ao ponto de esses filmes exclusivos serem indicados ao Oscar, como foi o caso de produções da Netflix (Roma, O irlandês, entre outros).

O questionamento se faz coerente uma vez que esses serviços trazem com um preço mais acessível que o cinema, um grande catálogo com diversas possibilidades. É claro que, o cinema não se limita simplesmente ao filme. A experiência da câmara escura, da tela gigante, a pipoca e os acentos é o que de fato torna a ida ao cinema tão única. Inclusive grande parte dos multiplexes fazem dinheiro e se sustentam a partir da venda de pipocas e guloseimas. Mas a maior pergunta é: E se os filmes fossem lançados simultaneamente no cinema e no streaming, onde o grande público iria priorizar? 

É fato que com a pandemia de COVID-19 a resposta seria até muito óbvia, o último lugar que alguém iria querer estar é em uma sala fechada com mais 100 pessoas. Mas e no futuro? Bem, a Warner já está pensando nisso.

 

O Caso Warner

Para quem não está familiarizado, a Warner Bros é uma das maiores produtoras e distribuidoras cinematográficas do mundo. A empresa possui diversas subsidiárias em seu pacote, alguns levando o mesmo nome como: Warner Bros. Interactive Entertainment (Que publica jogos eletrônicos), Warner Bros Television (que produz conteúdo para a televisão), WB Animation (responsável por animações em geral) e Warner Home Vídeo (responsável pela distribuição de vídeos da empresa). Além disso, existem outras empresas que são ou 100%, ou ao menos possuem uma grande fatia pertencente ao grupo Warner, são elas: Cartoon Network, Hanna-Barbera, NewLine Cinema, NetherRealm Studios, DC Comics e The CW Television Network. 

A empresa foi fundada em 1903 por quatro irmãos poloneses que se mudaram para o Canadá e compraram um projetor, exibindo filmes em pequenas cidades, e desde então a empresa tem só crescido. Ela revolucionou por ser pioneira na sincronização sonora dos filmes em uma época que o cinema ainda não possuía essa tecnologia, entre diversas outras inovações. 

Recentemente (mais especificamente no dia 03/12/2020), a empresa fez um pronunciamento um tanto quanto polêmico: Todos os seus lançamentos marcados para 2021 seriam lançados simultaneamente nos cinemas e na plataforma de streaming HBO Max, totalizando 17 lançamentos que incluem filmes como Matrix 4, Duna, The Little Things, Judas and the Black Messiah, Tom & Jerry: o  Filme, Mortal Kombat, Those Who Wish Me Dead, Invocação do Mal 3, Em um Bairro de Nova York, Space Jam: Um Novo Legado, Reminiscence, Malignant, The Many Saints of Newark, King Richard e  Cry Macho. 

Isso vem gerando um debate fervoroso na internet, algumas redes de cinema estão cogitando inclusive boicotar filmes da companhia, assim como ocorreu com a Universal após o filme Trolls 2 fazer um sucesso estrondoso nas plataformas de streaming.

 

Trolls 2

No começo desse ano, as principais redes de cinema dos Estados Unidos (AMC Theaters e CineWorld) chegaram a anunciar que não exibiriam filmes da Universal Pictures enquanto não fosse revogada a decisão de realizarem o lançamento dos filmes tanto nos cinemas quanto nos serviços de streaming simultaneamente. 

De acordo com o site Pipoca Moderna:

“Além das duas redes, a entidade que reúne os maiores exibidores, a NATO (sigla em inglês da Associação Nacional dos Donos de Cinema) também se pronunciou, chamando atenção sobre a condição excepcional do sucesso de “Trolls 2”. Para ela, a arrecadação do filme em VOD não poderia ser usado pela Universal como uma “desculpa para pular o lançamento” tradicional de seus maiores filmes, pois esse lucro impressionante não é o “novo normal de Hollywood”. “Essa performance é consequência do isolamento de milhões de pessoas que estão em suas casas em busca de entretenimento, não uma mudança na preferência do espectador”, disse a organização em comunicado.”

“A NATO chega a afirmar não ter se surpreendido com os números acima da média do filme, já que as famílias em quarentena estão com opções limitadas para entreter crianças, público-alvo de “Trolls 2″. “A Universal não tem razão para usar circunstâncias incomuns em uma situação sem precedentes como trampolim para pular o lançamento nos cinemas”, segue o texto. “Cinemas trazem uma experiência imersiva e compartilhada que não pode ser reproduzida – uma experiência que muitos consumidores de plataformas digitais viveriam se não estivessem presos em suas casas, desesperados para assistir algo em família”, conclui a NATO.”

E para você o que é melhor? Prefere assistir filmes no conforto de casa com um preço acessível, ou acredita que a experiência da sala de cinema é única e insubstituível? Estamos sempre acompanhando os temas mais quentes do mundo do audiovisual.

 

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