Relatório divulgado pela revista Forbes em 2018, revelou que o vídeo é a ferramenta mais efetiva para a distribuição de uma mensagem. A taxa de retenção é de 95% contra apenas 10% de um texto. De acordo com esta mesma pesquisa, 17.000 horas de conteúdo de vídeo, cerca de um milhão de minutos, cruzarão as redes IP globais a cada segundo durante o ano de 2021. São números que apenas reforçam a potência dos conteúdos audiovisuais e lançam um desafio igualmente superlativo: como se destacar no meio da multidão? Afinal, apenas no YouTube, o volume de conteúdo carregado em 30 dias supera o que as principais redes de televisão dos Estados Unidos produziram em 30 anos. É dentro deste cenário que os vídeos interativos vêm ganhando relevância. 

Por ter um visual e uma narrativa mais dinâmica que conteúdos textuais ou estáticos, os vídeos digitais suportam bem as ferramentas de interatividade, se tornando ainda mais atrativos ao convidarem as pessoas a se relacionarem com o seu conteúdo. Ao contrário de seus antecessores, os vídeos lineares, que entregavam ao espectador a possibilidade pausar, reproduzir, acelerar e pular para algum outro ponto do vídeo, aqui é permitido definir os rumos, as próximas cenas, a continuidade e até o desfecho de uma história. O potencial é imenso. É possível entregar a audiência a decisão sobre o destino de um personagem ou promover a interação através de uma infinidade de recursos, como, por exemplo: quizzes, jogo de perguntas e respostas relacionados ao tema que ajudam na fixação do conteúdo; calculadoras, que permitem fazer estimativas e previsões também relacionados ao assunto apresentado; lookbooks, que são uma espécie de álbum de fotos, entre outros recursos. A Netflix, por exemplo, para promover a série Narcos, protagonizada por Wagner Moura, sobre  a ascensão e a queda do lendário traficante Pablo Escobar, usou um recurso batizado por eles de Cocainenomics, que nada mais do que um site onde são mostrados detalhes sobre o cartel de Medellin, incluindo um mapa interativo, baseado no Google Maps, ilustrando as rotas do narcotráfico nas últimas décadas, entre outras informações adicionais.  

A Netflix, aliás, vem se destacando com o uso da interatividade, que caiu como uma luva no episódio “Bandersnatch”, da série “Black Mirror”, que se tornou uma referência de inovação neste segmento, ao permitir a escolha do destino da história e do personagem, podendo conduzir a até cinco finais diferentes. Uma ideia começou a ser usada em filmes infantis – aliás, são várias opções no seu catálogo, como “O Chefinho – Pega esse Bebê!” e “Stretch Armstrong – A Fuga” – mas que agora começa a se popularizar. A plataforma de streaming, inclusive, criou um ícone para facilitar a sua identificação. Trata-se de uma bandeirinha especial que aparece no canto superior direito de cada capa do título. O seriado  Você Radical é uma das atrações desta lista, fazendo o espectador se sentir próximo da natureza mesmo estando no conforto de sua casa. Antes de aparecer a opção de escolha, algumas vezes a produção pode interagir com quem está na tela, com o ator olhando para a câmera, por exemplo, e propondo algum desafio. 

No YouTube, uma pizzaria da Nova Zelândia criou uma experiência diferenciada para seus consumidores ao criar um vídeo onde os espectadores são convidados a ajudar um entregador de pizza a fazer seu serviço sem ser morto por zumbis. Ao longo da história, o usuário é instigado a escolher a alternativa que o levará para o próximo conteúdo. A ideia, batizada de gamificação (que é o uso de mecânicas e dinâmicas de jogos para engajar pessoas, resolver problemas e melhorar o aprendizado, motivando ações e comportamentos em ambientes fora do contexto de jogos) vem ganhando cada vez mais espaço nas estratégias de marketing de empresas de diferentes segmentos, com grande sucesso, ajudando a alavancar os negócios e gerando uma enorme repercussão para as marcas. 

Mas além de uma dose extra de diversão, os vídeos interativos trazem outras vantagens importantes, como a simplificação da mensagem, possibilitando o uso dos mais diversos recursos de som e imagem para facilitar a compreensão do tema que está sendo apresentado.  Além disso, aumentam o engajamento. De acordo com o relatório Digital Video and The Connected Consumer, disponibilizado pela Accenture, 87% dos consumidores utilizam mais de um aparelho eletrônico simultaneamente, o que deixa a disputa pela audiência ainda mais acirrada. Outro ponto relevante é a otimização da experiência, a chamada customer experience, que vem sendo cada vez mais debatida pelas empresas. A intensão aqui é entregar ao espectador muito mais que um produto audiovisual, é agregar valor ao material, com recursos extras, que surpreendam e encantem. A interatividade também permite a personalização do conteúdo, de acordo com suas preferências, um importante diferencial competitivo. E uma vez que a interação do consumidor leva a uma demonstração das suas preferências, a compilação destes dados pode se tornar uma boa métrica de entendimento deste público, ajudando a compor conteúdos cada vez mais alinhados com suas necessidades e desejos. Por fim, a interatividade traz implícita uma ideia de vanguarda, de modernidade, ajudando a atrair as atenções para o material. O consumidor, aliás, tende a enxergar um grande valor em empresas que aderem às inovações. Portanto, hoje, ao desenvolver um vídeo, é possível transcender a combinação de som e imagens, oferendo uma experiência única, onde a criatividade pode ajudar a agregar diversão e muita informação, sem mencionar que certamente aumentará as chances de uma empresa que investe neste recurso se destacar diante da concorrência. 

 

Mas como criar um conteúdo interativo? 

Para facilitar esta tarefa, existem algumas ferramentas e recursos simples de usar, que vão ajudar a turbinar os vídeos produzidos. São estratégias que vão permitir oferecer recursos extras, que podem ser apresentados através de links na descrição do vídeo, por exemplo, já que nem sempre será possível incorporá-los ao conteúdo. Mas, sem dúvida, ajudarão a incrementar o produto audiovisual. 

 

Dot 

Esta plataforma permite, a partir de templates, criar conteúdos interativos, como quizzes, calculadoras, lookbooks, questionários, entre outros tipos de conteúdo interativo.

 

Thinglink 

Esta ferramenta oferece ao usuário a possibilidade de desenvolvimento de infográficos, apresentações e mapas interativos, além de incluir recursos para fotos e vídeos em 360 graus.

Typeform 

Conhecida pelos recursos para a criação de formulários online com um layout simples, bonito e responsivo, esta ferramenta possibilita o desenvolvimento de conteúdos interativos, como quizzes e enquetes.

 

Quizur 

Ferramenta específica de criação de quizzes. 

 

Mapme 

Desenvolvida para a criação de mapas interativos, adicionando fotos, vídeos e construções em 3D, permitindo a customização com cores, formas, ícones e desenhos.

 

Rush Vídeo – Ideias em Movimento