A explosão das plataformas de streaming, que trouxeram para o mercado brasileiro os maiores players internacionais de filmes e séries, brinda a audiência com um catálogo eclético, capaz de agradar os gostos mais variados. Mas cria também uma dificuldade para identificar títulos de qualidade, aqueles que reúnem atributos como uma história interessante, que não precisa ser mirabolante, mas precisa estar amarrada por um bom roteiro, atuações competentes, tudo isso embalado numa produção caprichada, capaz de prender a atenção e interesse por dezenas de episódios. A receita, em teoria, parece fácil. Contudo, na prática, é um pouco mais complicada e pode desandar facilmente. Quem nunca desistiu de uma série nos primeiros episódios que atire a primeira pedra. Neste contexto, “Ozark”, série original da Netflix, é uma deliciosa surpresa.

SAIBA PORQUE OZARK É UMA DAS MELHORES SÉRIES DA NETFLIX

Elenco Afinado

As qualidades de “Ozark” começam pelo elenco afinado. O protagonista, Marty Byrde, um pai de família que acaba envolvido na lavagem de dinheiro para um cartel de drogas, é vivido por Jason Bateman, astro juvenil, que depois de ver sua carreira derrapar devido a seu envolvimento com drogas, mostra que chegou à maturidade como um ator competente, sendo inclusive produtor da série e diretor de quatro excelentes episódios. A sua interpretação, apesar de contida, cria um personagem que por trás da máscara de bom moço, carrega um lado sombrio, que Bateman oculta com destreza. Sua esposa é interpretada pela excelente Laura Linney, que inclusive dirigiu com maestria os capítulos finais da saga da família Byrde. Sua Wendy, vai no decorrer da trama mostrando que, sob determinadas condições, somos capazes de chegar a extremos para proteger aqueles que amamos e que o poder pode, sim, subir à cabeça. Sofia Hublitz vive a filha adolescente Charlotte, cuja rebeldia e indignação vai aos poucos cedendo frente a personalidade arrebatadora da mãe. Skylar Gaertner, completa o clã, e dá um show na pele do filho caçula Jonah. Em outro arco, Julia Garner, que já tinha nos brindado com seu talento em “Inventado Anna”, também da Netflix, rouba a cena na pele da criminosa Ruth. O elenco de apoio não deixa por menos e o resultado é uma profusão de tipos marcantes, difíceis de esquecer.

Fórmula de Sucesso

“Orzac” é apontada por muitos por beber da mesma fonte de “Breaking Bad” e “Família Soprano”, mas merece destaque pela sutileza com que vai infiltrando seus personagens no mundo do crime. Ceder ao lado negro é assustadoramente fácil. Marty Byrde, é um pai de família exemplar, com um inabalável senso de responsabilidade, e não leva jeito para vilão, tem repulsa pela violência e vive sob um constante estado de ansiedade e medo, contudo é arrebatado pelo desafio intelectual que o crime lhe impõe. A trama começa quando ele se vê forçado a fugir com a família para o Lago das Ozarks, no Missouri, um balneário de verão que entre as temporadas convive com a ignorância, violência, e miséria, embaladas pelo alcoolismo e o consumo de drogas. É neste cenário que vive Ruth, única mulher de uma família de tipos desajustados, que sob a batuta da família Byrde vai se vai enveredar de vez pelos caminhos da contravenção e do crime.
Para ajudar o marido a sobreviver e cumprir as tarefas, cada vez mais arriscadas e complexas, impostas pelo Cartel, Wendy vai, aos poucos, se despindo do papel de dona-de-casa para se mostrar uma mulher impiedosa e o casal, aos poucos, se torna também uma dupla perigosa. E neste cenário conturbado e repleto de violência, física e emocional, que os filhos vão se desenvolvendo.
Trama Inquietante
O interessante de “Ozark” é que a série não busca encontrar saídas fáceis para o comportamento dos seus personagens que, inclusive, são repletos de nuances. Aqui todos têm seus esqueletos no armário expostos. Às vezes de forma inesperada e inquietante. Ao longo dos episódios o expectador acompanha como, gradativamente, as personalidades vão sendo moldadas pela realidade e como é possível, para pessoas comuns, aceitar e conviver com atrocidades quando estas são praticadas em nome de um bem maior. E desta sentença nem mesmo o FBI, a poderosa agência americana de combate ao crime, é poupada. Enfim, uma série para ser degustada.

 

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