A temporada de premiações de indústria audiovisual segue a todo vapor, após um período conturbado devido a pandemia da Covid 19. Graças a vacinação, a edição do Emmy deste ano, finalmente voltou a ser presencial e sem máscaras, ao contrário do ano passado, quando foi totalmente virtual. Mas nem por isso os cuidados foram deixados de lado. Para participar da festa era necessário apresentar comprovante de vacinação e teste negativo para o Corona Vírus O evento, que está em sua 73.º edição é realizado pela Academia de Artes e Ciências Televisivas dos Estados Unidos para eleger as séries, minisséries e telefilmes que mais se destacaram dentro de suas categorias. A Rush Vídeo, produtora de Campinas, interior de São Paulo, há 25 anos no mercado e uma entusiasta da sétima arte, acompanhou todos os detalhes de mais esta premiação, que por trás de toda a badalação do tapete vermelho serve de holofote para dar visibilidade a obras, revelar talentos e fomentar uma indústria que movimenta milhões de dólares e gera milhares de empregos em todo o mundo, além de divertir, entreter, informar e emocionar. O que seria do isolamento social se não existisse esta janela, esta válvula de escape, para novos mundos, épocas e realidades? Num contexto em que o cotidiano precisou ser revisto, a televisão e o cinema se tornaram um porto seguro. Nesta edição do Emmy, a Netflix, gigante do streaming, foi a grande vencedora, conquistando nada menos que 44 estatuetas, graças as performances de “The Crown” e “O Gambito da Rainha”, ambos com 11 prêmios. A HBO, que historicamente é a emissora com mais vitórias e recordes no prêmio da Academia, desta vez foi rebaixada ao segundo lugar com 19 prêmios. O duelo entre as duas gigantes, aliás, vêm se acirrando nos últimos anos, mas até agora a plataforma de streaming nunca havia sido premiada com um troféu de melhor série. Este ano, contudo, a realidade mudou com “The Crow”, que narra os bastidores da família real britânica. Um duelo de titãs que começou a ganhar força em 2018 quando as duas companhias empataram no número de vitórias, com 23 troféus cada. Em 2019, o placar favoreceu a HBO que acumulou 34 prêmios contra 27 da Netflix. No ano passado, a distância foi maior, com 30 estatuetas para a HBO e 21 para a Netflix. Vale lembrar que, em 2020, a HBO foi vitoriosa com “Succession” em melhor série dramática e “Watchmen” como minissérie.

 

A Hora e a Vez da Comédia

A cerimônia começou com “Ted Lasso”, do Apple TV+, levando a melhor nas categorias de ator e atriz coadjuvantes em série de comédia. Hannah Waddingham, levou o prêmio de melhor atriz, e Brett Goldstein, de melhor ator. A produção, que narra a vida de um carismático treinador de futebol americano universitário, acidentalmente contratado para treinar um time profissional, onde precisa lidar com ego de jogadores e uma torcida exigente, faturou 20 indicações, levou 7 estatuetas e a validação do público e da crítica.

 

Melhor Minissérie

“O Gambito da Rainha” repetiu no palco do Emmy o sucesso que fez junto ao público, onde desponta como uma das produções mais assistidas do streaming, chegando à marca de 62 milhões de visualizações em todo o mundo, apenas nos seus 28 primeiros dias de exibição desde a estreia. É a minissérie mais assistida da história na Netflix em 63 países. A atração estrelada por Anya Taylor-Joy levou para a casa um dos prêmios mais cobiçados: o de melhor antologia ou série limitada. Durante o seu agradecimento, o produtor executivo William Horberg comemorou: “A única coisa que nenhum algoritmo pode prever, que nenhum orçamento de um bilhão de dólares pode fabricar, é o boca a boca.

Este prêmio é para os fãs que recomendaram a série para seus amigos, que também se tornaram fãs e falaram da série para outras pessoas” Vale mencionar que “O Gambito da Rainha” também performou no Creative Arts Emmys, que agrupa as categorias técnicas, com um total de nove vitórias, conquistando o maior número de troféus uma semana antes da cerimônia oficial. A produção ainda concedeu o prêmio de Melhor Roteiro em Minissérie a Scott Frank, que fez questão de agradecer a cada um dos membros da equipe, num dos discursos mais tediosos da festa. “O Gambito da Rainha” narra a história de Beth Harmon (Anya Taylor-Joy), uma menina órfã que se revela um prodígio do xadrez. Mas para conseguir se tornar a maior jogadora do mundo, ela precisa enfrentar seu vício no álcool, além de alguns dilemas internos.

 

O Fascínio da Realeza

A série “The Crown”, que ao lado de “The Mandalorian” da Disney+, liderou o número de indicações, 24 no total, confirmou o favoritismo. Mas além do prêmio principal a que estava concorrendo, levou quatro dos 13 prêmios técnicos a que foi indicada — melhor fotografia em série de câmera única, melhor edição em série dramática de câmera única, melhor atriz convidada em série de drama para Claire Foy e melhor elenco em série de drama. Olivia Colman, no papel da rainha Elizabeth 2º, levou para casa o Emmy de melhor atriz em série dramática e Josh O’Connor, a estatueta na categoria masculina por sua performance como o príncipe Charles. Gillian Anderson, a eterna agente Dana Scully de Arquivo X, ficou com o prêmio de coadjuvante por sua interpretação da primeira ministra britânica Margaret Thatcher, que exerceu o cargo de 1979 a 1990.

 

Mare of Easton

A história de mistério e assassinato ambientada e filmada nos subúrbios da Filadélfia faturou três estatuetas, uma delas para Kate Winslet, que venceu como melhor atriz de minissérie ou filme para TV, feito que a colocou na lista das “100 pessoas mais influentes”, idealizada pela revista americana Time. É o segundo prêmio Emmy da aclamada carreira de Winslet. A atriz britânica venceu na mesma categoria há 10 anos por sua atuação em “Mildred Pierce”. Em seu discurso de agradecimento ela arrancou aplausos da plateia ao dar um show de sororidade: “Apenas quero reconhecer minhas colegas indicadas. Nesta década, as mulheres precisam apoiar umas às outras. Eu as apoio, saúdo e estou orgulhosa de todas vocês”, disse. Ainda no mesmo discurso, a icônica atriz de “Titanic” falou sobre a importância do entretenimento em um período tão difícil quanto o que estamos vivendo agora. “Neste momento cultural, “Mare of Easttown” uniu as pessoas e deu algo sobre o que falarem além da pandemia. Quero agradecer a todos que assistiram à nossa série”, completou. O programa também premiou Evan Peters, conhecido pela antologia American Horror Story, e Julianne Nicholson como Melhor Ator e Atriz Coadjuvante em Minissérie.

Agora, é pegar a pipoca, conferir os vencedores e esperar a próxima edição que deve ter um tempero Made in Brazil graças a produção “7 Prisioneiros”, da Netflix. O longa, estrelado por Rodrigo Santoro e Christian Malheiros, da série “Sintonia”, traz uma reflexão sobre escravidão contemporânea e vem arrancando elogios por onde passa. Foi, inclusive, uma das atrações do Festival de Veneza. A estreia está prevista para novembro.

Rush Video – Ideias em Movimento