“Quando você vai me abraçar?” Essa pergunta ecoa o tempo todo em “Rocketman” a deslumbrante ópera rock, em cartaz em todo o Brasil atualmente, e que conta a história dos altos e baixos do astro pop Elton John.
Não costumamos abordar muito as estreias de cinema aqui neste blog da Rush Video, mas no caso de “Rocketman”, existe uma nova onda em Hollywood de investir em cinebiografias musicais que, para nós que vivemos no mundo do vídeo, vale a pena o exame mais detalhado.
Rocketman tem um plot bem tradicional, mostrando a história do rapaz que se tornou uma grande estrela, ao mesmo tempo em que implorava: “Eu quero voar, mas é impossível”; um garoto tímido (um “extrovertido introvertido”) que precisa aprender a agir com confiança depois de suportar uma infância complicada. Mas o que faz tudo vibrar no filme é a noção de espetáculo e música do diretor Dexter Fletcher. Não por acaso, Fletcher esteve por trás da produção de Bohemian Rhapsody também (ele entrou no filme, depois que o diretor escolhido, Bryan Singer, demonstrou divergências criativas com os produtores).
Rocketman é melhor que Bohemian. Fletcher se revela mais confiante em alinhavar a narrativa com os números musicais. O filme abre com Elton (Taron Egerton) ridiculamente vestido com trajes de demônio com chifres, entrando na terapia de grupo de reabilitação, onde ele se declara alcoólatra, viciado em cocaína, viciado em sexo, bulímico, viciado em compras e muito mais. E a partir daí, entram os flashbacks, mergulhando em momentos-chave da vida do artista, interpretados como números musicais extravagantemente coreografados – o Crocodile Rock de sua aparição no Troubadour em Los Angeles termina com Elton voando. O maior mérito aqui é constatar como Fletcher aproveita a recriação musical para ultrapassar os limites da linguagem, do bom gosto e do que mais pintar no caminho.
Os atores, como Taron Egerton (impressionante como Elton), Bryce Dallas Howard (interpretando a mãe) e Richard Madden (como o agente e amante do pop star) seguram muito bem a onda, só que o show mesmo vem do entusiasmo, da extrema paixão do cineasta em pegar o espectador pela mão e inseri-lo num turbilhão carnavalesco que tem de tudo, de anjos de fogo a pássaro fluorescente dentro de uma gaiola dourada (aplausos para a figurinista Julian Day).
A linguagem destes trechos combina o melhor dos musicais psicodélicos dos anos 70 com a fragmentação pulsante dos inspirados clipes de Bjork e Madonna. E é claro, tem toda a tecnologia e o dinheiro para sair do rosto do artista mostrando seu intimismo num piano para um macro universo habitado por uma centena de bailarinos dançando em um teatro que de repente se abre para um céu cintilante.
É uma festa para os olhos e ouvidos. Mesmo que você não seja fã de Elton, ou de pérolas como “Tiny Dancer”, é difícil não embarcar com humor nesta jornada bem humorada e efervescente.
Rush Video – Ideias em Movimento