Após registrar globalmente a perda de dois quartos dos assinantes, a Netflix parece ter conseguido reverter a situação. A gigante do streaming divulgou recentemente que atingiu a marca de 2,4 milhões de novos usuários no terceiro trimestre de 2022, um número bem acima da projeção de 1 milhão, contabilizando assim algo em torno de 223 milhões de assinantes em todo o mundo. Êxito amparado no sucesso de títulos como “Stranger Things 4”, que estreou em julho, e “Monster: The Jeffrey Dahmer Story” em setembro. E embora o lucro da plataforma no terceiro trimestre de 2022 tenha sido inferior ao ano passado, a receita aumentou cerca de 6%, o que foi suficiente para impulsionar novamente as ações da companhia.
Um alívio para seus executivos que em abril divulgaram um achatamento inédito de sua base pela primeira vez em mais de uma década, fazendo com que suas ações despencassem e a empresa perdesse bilhões em valor de mercado, sendo forçada a demitir centenas de funcionários. Mas para acalmar definitivamente os ânimos ainda era preciso mostrar aos investidores que a plataforma poderia render mais dinheiro. O jeito então foi lançar planos com valores mais acessíveis, suportados por anúncios. A novidade foi lançada no início deste mês em vários países, incluindo o Brasil.

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Segundo matéria publicada no Estadão, bem antes de divulgar seu novo modelo de negócio, a Netflix prospectou as maiores agências de publicidade do país para tentar atrair grandes anunciantes. Vale ressaltar, que a gigante é efetivamente o último streamer a se render à estratégia. A veiculação de anúncios será disponibilizada em dois espaços principais: no início e no meio da exibição de filmes e séries. A frequência de exibição das marcas será limitada a uma vez por hora e três vezes por dia, assegurando assim uma repetição mínima da mensagem. Os anúncios serão veiculados no início e no meio dos programas, em vídeos de 15 ou 30 segundos. No caso dos filmes, a exibição de publicidade estará, por enquanto, limitada às produções originais da companhia, em anúncios apresentados antes do seu início, também com 15 ou 30 segundos.

Novidade

Segundo pessoas do meio publicitário, os preços dos pacotes de publicidade disponibilizados pela Netflix são salgados quando comparados aos valores praticados por aqui. Contudo, o mercado parece estar disposto a testar a novidade que traz uma oportunidade de dialogar com o público do streaming e assim entender se vale, ou não, o investimento.
Especula-se, inclusive, que a partir do ano que vem, a gigante deva ampliar os espaços de veiculação de anúncios, chegando ao produtos “premium” do seu catálogo, como a série “Stranger Things”, que possivelmente terão valores diferenciados, além da possibilidade de segmentação do público por renda e interesses.

Assinaturas

Consolidada a novidade, o plano mais barato da Netflix aqui no Brasil, com publicidade, custa hoje R$ 18,90 por mês. Além disso, a qualidade de séries e filmes liberados neste pacote tem, no máximo, a qualidade HD (720p) e o acervo disponibilizado é um pouco menor. Isso porque, segundo a companhia, existem restrições de licença. No entanto, a Netflix garante que já está trabalhando para superar esta limitação e abrir toda a sua programação também para estes usuários.
O plano com anúncios não oferece ainda a opção de baixar os filmes para assistir offline. Além de Brasil e Estados Unidos, este plano básico com anúncios foi disponibilizado no Canadá, Austrália, França, Alemanha, Itália, Coreia do Sul, México, Espanha e Reino Unido.
Para finalizar, vale ressaltar que a Netflix vem empreendendo esforços contínuos para combater o compartilhamento de senhas entre usuários. A plataforma tem realizado testes para a adição de uma ferramenta que possibilita a identificação dos assinantes que dividem a senha com pessoas que não vivem na mesma casa, o que pode gerar a cobrança de taxas adicionais.

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