FESTIVAL DE CANNES 2026: OS DESTAQUES DA CROISETTE E A PRESENÇA BRASILEIRA

Entre os dias 12 e 23 de maio de 2026, a cidade francesa de Cannes recebe a 79ª edição do seu tradicional Festival Internacional de Cinema, um dos eventos mais prestigiados do calendário cinematográfico mundial. A seleção oficial reúne mais de 20 longas na disputa pela Palma de Ouro e confirma o ano como um reencontro de gerações: nomes consagrados do cinema autoral europeu e asiático dividem espaço com diretores em plena maturidade artística. Entre os concorrentes ao principal prêmio do festival está “Paper Tiger”, novo longa de James Gray, estrelado por Scarlett Johansson, Adam Driver e Miles Teller, que conta com produção brasileira da RT Features, de Rodrigo Teixeira, reforçando a presença do Brasil na principal vitrine da Croisette, ampliando sua presença internacional após o forte desempenho alcançado em 2024 e 2025..

Palma de Ouro

A competição oficial de 2026 é dominada por veteranos. O espanhol Pedro Almodóvar retorna à Croisette com “Natal Amargo”, tragicomédia sobre luto e relações familiares construída em duas tramas paralelas. O japonês Hirokazu Kore-eda apresenta “Sheep in the Box”, sobre um casal que adota um androide para criá-lo como filho, levantando dilemas éticos sobre a parentalidade. Outro japonês de peso, Ryūsuke Hamaguchi, exibe “All of a Sudden”, ambientado em um asilo na periferia de Paris.

O iraniano Asghar Farhadi disputa com “Parallel Tales”, drama sobre a paixão de um jovem por uma mulher mais velha, e o polonês Paweł Pawlikowski concorre com “Fatherland”, cinebiografia do escritor alemão Thomas Mann. Também estão no páreo “Moulin”, do húngaro László Nemes, sobre o herói da Resistência Francesa Jean Moulin; “Coward”, do belga Lukas Dhont, ambientado nas trincheiras da Primeira Guerra; “Minotaur”, do russo Andrey Zvyagintsev, sobre um executivo em colapso; e “The Beloved”, do espanhol Rodrigo Sorogoyen.

O Brasil: continuidade de um momento histórico

A presença brasileira em Cannes 2026 acontece após uma sequência de resultados expressivos para o cinema nacional na Croisette. Em 2024, Fernanda Torres conquistou o prêmio de melhor atriz dramática por “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, e tornou-se uma das produções brasileiras de maior repercussão internacional dos últimos anos, ampliando o interesse global pelo audiovisual nacional. Já em 2025, “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, foi premiado com Melhor Direção e Melhor Ator para Wagner Moura.

Em 2026, embora não haja um longa integralmente brasileiro na competição principal, o país aparece em várias frentes do festival, sobretudo por meio de coproduções e filmes independentes. Além de “Paper Tiger”, a RT Features também coproduz “La Perra”, novo longa da chilena Dominga Sotomayor, selecionado para a Quinzena dos Realizadores. O filme marca a estreia de Selton Mello no festival, em uma coprodução entre Chile e Brasil.

Na mostra Un Certain Regard, o Brasil entra com “Elefantes na Névoa”, do diretor nepalês Abinash Bikram Shah, coprodução entre Nepal, Alemanha, Brasil, França e Noruega, com participação da carioca Bubbles Project, de Tatiana Leite. Já a Semana da Crítica, vitrine de novos talentos, selecionou “Seis Meses no Prédio Rosa e Azul”, do mexicano Bruno Santamaría Razo, coprodução entre México, Brasil e Dinamarca finalizada pela pernambucana Desvia, com o ator cearense Demick Lopes no elenco — é a única produção latino-americana entre os longas da seção.

Na seção La Cinef, dedicada a estudantes de cinema, o paulistano Lucas Acher foi o único brasileiro escolhido entre mais de 2.700 inscritos, com o curta “Laser-Gato”, sobre um adolescente em uma noite caótica em São Paulo. No Marché du Film, o maior mercado audiovisual do mundo, um verdadeiro centro de negócios, despontam o terror psicológico “Ilhéus”, de Manu Sobral, rodado na Prainha Branca, no Guarujá, e “Minha Querida Alice”, de Rogério Sagui, estrelado e produzido por Rafa Kalimann, sobre uma sobrevivente de tentativa de feminicídio.

E mesmo sem um longa nacional isolado na corrida principal, o Brasil reforça em 2026 um movimento consistente de internacionalização, ocupando espaços de descoberta, coprodução e negócios no festival, consolidando assim o reconhecimento do púbico e  crítica conquistado nos últimos anos.

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