Nesta semana damos uma palhinha em nosso blog da Rush, dos bastidores do filme mais comentado do ano. Veja algumas curiosidades sobre como foi feita essa produção assinada por Quentin Tarantino.
Poucos cineastas trabalhando hoje são tão habilidosos em criar seu próprio mundo cinematográfico quanto Quentin Tarantino. O último do filme do diretor, Era Uma vez em Hollywood, é uma divertida recriação do final dos anos 60 em Los Angeles, com um cowboy (Leonardo DiCaprio), seu dublê (Brad Pitt) e uma estrela de cinema (Margot Robbie) transitando numa indústria que vivia a tensão entre um método clássico de fazer cinema e uma nova geração e a contracultura que estavam tomando os estúdios de cinema.
Mas para levar esse filme adiante, vale lembrar que Tarantino não trabalhou sozinho. A visão do diretor não teria sido possível sem uma legião de colaboradores, e a ficha técnica de Era Uma vez em Hollywood tem quase 200 nomes! (eu diria que é quase a mesma proporção de técnicos que trabalham numa produção de vídeo brasileira).
Uma coisa que enche os olhos, ao ver o novo filme de Tarantino, é o meticuloso cuidado com a direção de arte. A desenhista de produção Barbara Ling, que trabalhou antes na recriação dos anos 60 do filme The Doors, de Oliver Stone, morava em Los Angeles e tem muitas memórias de infância, assim como Tarantino, que é da mesma geração. Eles fizeram um inventário de todos os bares, restaurantes e cinemas que existiam nos anos 60 para isolar a ação nestes locais, estudaram a palheta de cores que era usado na época, tudo para obter o resultado mais autêntico possível.
Tarantino queria também que a Hollywood Boulevard estivesse em cena, principalmente nos passeios de carro do personagem de DiCaprio e Brad Pitt. Assim fecharam quatro quarteirões da famosa avenida e montaram falsas frentes e fachadas de lojas que costumavam revestir o local, bem como o Pussycat Theater, um cinema pornô que tinha uma imensa marquise iluminada por neons.
Paralelo a esse resgate de ambientes, Tarantino manteve altas conversas também com o diretor de fotografia Robert Richardson. A ambição do cineasta era movimentar a câmera como se estivesse filmando um faroeste épico. Eles estudaram, Era Uma Vez no Oeste e Três Homens em Conflito, dois clássicos de Sergio Leone, para compor muitas das cenas do filme.
Os negativos sumiram com a produção de vídeo digital, mas tradicionalista, Tarantino quis que o filme fosse todo rodado em película 70 milímetros com uma câmera Panavision Ultra que foi usado em E O Vento levou e O Magico de Oz. Essa experiência, aliás, não é inédita. Vem do filme anterior do cineasta, Os Oito Odiados. Ali, ele e o fotógrafo Robert Richardson deram uma dimensão as cenas de neve nas pradarias como há muito tempo não se via no cinema.
Enfim, Era Uma vez em Hollywood é uma carta de amor apropriadamente para a idade de ouro de Hollywood. Feita com carinho e muito esmero. Algo bom de ver e, para a gente que lida com cinema, de aprender como se estivéssemos numa sala de aula muito divertida.
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