USO DA INTERNET NO BRASIL E O ACESSO AO STREAMING

 

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), realizada pelo IBGE
-Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e divulgada no início de novembro, apontou que
o uso da internet no Brasil atingiu 87,2% da população com 10 anos ou mais em 2022. Esse
percentual representa um aumento de 21,1 pontos percentuais em relação a 2016, quando
apenas 66,1% da população utilizava a rede. A boa notícia é que esses dados indicam que o
Brasil caminha para a universalização do acesso, um dos objetivos do Plano Nacional de
Internet para Todos (PNINT), lançado pelo governo federal em 2013. O PNINT prevê que até
2030 todos os brasileiros tenham acesso de qualidade à rede internacional de computadores,
independentemente da localização ou da renda. Outro dado importante da pesquisa diz
respeito ao universo audiovisual. O estudo revelou que este aumento no número de
internautas também está impulsionando o crescimento do mercado de streaming. De acordo
com dados da Associação Brasileira de Produtoras de Cinema, Vídeo e Televisão (Abraccine), o
número de assinantes destas plataformas no Brasil chegou a 57,1 milhões em 2022, o que
representa um aumento de 23,5% em relação a 2021.

O acesso ao streaming no Brasil

A pesquisa do IBGE mostrou ainda que 78,9% das pessoas que utilizam a internet no Brasil
também acessam serviços de streaming. Esse percentual representa um aumento de 16,9
pontos percentuais em relação a 2016.

O acesso ao streaming é mais comum entre as pessoas jovens, com idade entre 10 e 19 anos
(90,2%), e entre as pessoas com ensino superior (89,1%). Também é mais comum nas regiões
Sul e Sudeste (82,1% e 81,8%, respectivamente), e nas capitais (82,7%).
Os serviços de streaming mais utilizados

Os serviços de streaming mais utilizados no Brasil são Netflix, YouTube e Amazon Prime Video.
A Netflix, que é o serviço mais popular, tem 38,4 milhões de assinantes. Já YouTube registra
35,9 milhões e o Amazon Prime Video tem 14,2 milhões de consumidores pagantes em sua
base.

Os motivos para acessar serviços de streaming

A pesquisa também questionou os entrevistados sobre as razões que os levam optar pela
assinatura de uma plataforma e os principais motivos apontados foram:

• Assistir a filmes e séries: 85,6% das pessoas que acessam serviços de streaming o fazem para
assistir a filmes e séries.
• Assistir a documentários e programas de TV: 62,7% das pessoas que acessam serviços de
streaming o fazem para assistir a documentários e programas de TV.
• Assistir a esportes: 43,8% das pessoas que acessam serviços de streaming o fazem para assistir
a esportes.

O impacto do streaming na sociedade

É inegável também que este crescimento do mercado de streaming está tendo um impacto
significativo na sociedade brasileira, transformando a forma como as pessoas consomem

conteúdo audiovisual. Além da ampliação na oferta de conteúdo sob demanda, que permite o
acesso pelo usuário a qualquer hora, de qualquer lugar, através dos mais diversos tipos de
dispositivos – lembrando que nem sempre é necessário ter acesso a Internet, pois são várias as
plataformas que oferecem a possibilidade de download, permitindo que o conteúdo fique
armazenado no aparelho para ser visto posteriormente – esta popularização está estimulando
a produção de conteúdo audiovisual brasileiro. Com isso, projetos que antes dificilmente
chegariam ao grande público, hoje encontram um palco de projeção internacional, afinal
grandes plataformas, como a Netflix, disponibilizam o conteúdo para vários países, gerando
empregos e elevando a cultura nacional.

Desafios para o crescimento do streaming

Apesar do crescimento significativo do mercado de streaming no Brasil, ainda existem desafios
a serem superados. Um dos principais é a desigualdade no acesso à internet, que ainda é mais
restrita nas áreas rurais e entre as populações de baixa renda. Outra dificuldade é a
regulamentação deste mercado, uma vez que governo brasileiro ainda não possui uma lei
específica para o streaming. E aqui um dos principais obstáculos é o próprio conceito do que é
um serviço de streaming. Atualmente, não existe uma definição legal, clara, para esse tipo de
serviço, o que dificulta o desenvolvimento de uma ação regulamentar adequada. Além disso,
outra barreira diz respeito às obrigações que seriam impostas às plataformas. As propostas de
lei que tramitam no Congresso Nacional preveem, entre outras atribuições, o pagamento de
uma contribuição para o Fundo Setorial do Audiovisual e a reserva de espaço para conteúdo
brasileiro e a adoção de medidas de proteção à infância e à adolescência. São temas sensíveis,
que impactam nos lucros e na organização da oferta de conteúdo e, portanto, têm rendido
muita discussão. Mas isso será tema de outro conteúdo, mais aprofundado. De qualquer
forma, para a evolução do streaming no país é imperativo a continuidade do investimento em
infraestrutura e na melhoria da qualidade da internet ofertada à população em geral.

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