Embora o cenário imposto pela COVID-19 seja digno de uma superprodução hollywoodiana e material farto para centenas de filmes, a realidade pós-pandemia traz incertezas para as salas de exibição em todo planeta. As perspectivas são desoladoras, sobretudo para os fãs da sétima arte, como toda a equipe da Rush Video, <a href=”https://www.rushvideo.com.br” rel=”noopener” target=”_blank”>produtora de conteúdo audiovisual de Campinas</a>. Interessada por tudo que diz respeito ao tema, a Rush decidiu investigar como as salas de exibição estão enfrentando os desafios impostos pela pandemia. A realidade, conforme veremos a seguir, é preocupante e pode determinar uma mudança profunda na forma de se consumir filmes, embora nenhum ambiente, nem mesmo o aconchego da nossa sala de estar, seja capaz, pelo menos para uma grande massa de cinéfilos, de concorrer com a magia de uma sala de cinema. São experiências absolutamente distintas. Mas não podemos esquecer: os novos tempos impõem comportamentos diferenciados. Além disso, os cinemas, há tempos, têm observado o fortalecimento de um oponente de peso: o streaming. Acordos comerciais vinham conseguindo segurar a ameaça, graças as janelas de exibição, mas tudo mudou e as salas estão desde março fechadas, enquanto o consumo de conteúdo audiovisual no período disparou com o isolamento social. Com as pessoas trancadas em casa, plataformas de streaming, que já vinham registrando um crescimento expressivo, se fortaleceram.

Ascensão do Streaming

Um estudo da <a href=”https://www.nielsen.com/us/en/solutions/capabilities/svod-content-ratings/” rel=”noopener” target=”_blank”>Nielsen</a> para medir o comportamento dos expectadores frente à TV, feito no mês de março, mostrou que entre os americanos aumentou em 85% o consumo de filmes nestas plataformas nos últimos doze meses. Importante destacar que aparelhos móveis e computadores estão de fora da contabilidade desta pesquisa. Ainda segundo a Nielsen, a <a href=”https://www.netflix.com/br/” rel=”noopener” target=”_blank”>Netflix</a> nadou de braçada e dominou o mercado no período, tendo concentrado 29% do tempo gasto pelas pessoas em algum serviço de streaming. O YouTube, vem logo atrás com 20%, Hulu (ainda não disponível no Brasil) com 10% e <a href=”https://www.primevideo.com/” rel=”noopener” target=”_blank”>Amazon Prime Vídeo</a> com 9%. Isso apenas no mercado norte-americano. Na Ásia, o aumento no consumo de streaming neste mesmo período foi de 100%.
Ao mesmo tempo a Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood já anunciou que a 93ª edição do Oscar aceitará filmes que, durante a pandemia, estrearam no streaming. Até então as produções, como aconteceu com “Os Infiltrados” e “Dois Papas”, da Netflix, tinham que, obrigatoriamente, ainda que num circuito restrito, passar pelos cinemas americanos para serem elegíveis ao prêmio. Este é um movimento que, embora ainda gere descontentamento entre os grandes estúdios, já parecia inevitável. A Universal, por exemplo, entusiasmada com o desempenho de “Trolls 2-World Tour”, direto no streaming em plataformas como Apple TV e Amazon Prime Video, onde foi disponibilizado por U$ 19, contabilizando nas três primeiras semanas um faturamento de U$ 100 milhões, chegou a declarar ao Wall Street Journal que o VoD premium (vídeo on demand) deve configurar o novo normal. Definitivamente, a pandemia parece ter acelerado o desenrolar da história, afinal, mesmo que a liberação das salas aconteça num futuro próximo, o ambiente fechado, ainda que esteja de acordo com as normas de distanciamento e seguindo regras sanitárias, não deve atrair, de imediato, o grande público. E assim o futuro do circuito exibidor vai ficando cada vez mais nebuloso.

Grandes Redes Exibidoras em Crise

E para quem acha que as afirmações parecem alarmistas, vale lembrar que na China, ensaiou-se uma reabertura dos cinemas, que se mostrou precipitada e o governo acabou determinando novamente o fechamento. Mas a experiência mostrou que no período em que estiveram abertas, a taxa de ocupação foi extremamente reduzida. O presidente da Associação Nacional dos Cinemas Franceses, Richard Patry, chegou a declarar a revista Le Film Français que, além do medo da contaminação, os expectadores acabaram se acostumando a consumir filmes no conforto de seus sofás, gerando uma mudança de comportamento no público que pode ser um complicador a mais para a retomada do hábito de ir ao cinema.

Para completar, no final de março, a rede de cinemas CMX, com sede em Miami, nos Estados Unidos, pediu falência. A notícia chegou pouco depois da Cineworld, segunda maior rede do mundo, manifestar publicamente o receio de quebrar. E as más notícias não param por aí. A AMC, dona do maior circuito dos Estados Unidos, passa por uma profunda crise financeira. Endividada, registrou queda de mais de 90% no preço de suas ações nos últimos 2 anos. A situação é tão crítica que AMC foi rebaixada pela agência de classificação de risco S&P Global, sendo considerada insustentável a médio prazo, dividindo espaço com algumas empresas de ramos também profundamente atingidos pela COVID-19, como a aviação. O fato é que as salas de exibição são negócios de capital intensivo, sem muitos ativos, dominados por grandes redes. Os imóveis, normalmente estabelecidos em shoppings centers, são na sua maioria alugados. Isso significa que no período que permanecerem fechados, os executivos do ramo estão gerenciando, à distância, uma entrada de caixa inexistente e uma saída que inclui aluguel, ainda que reduzido, condomínio e salários. No Brasil, empresários do ramo falam em apagão do setor de exibição no país que, pela primeira vez na história, passou a registrar faturamento zero de bilheteria. Vale destacar que juntamente com as salas se extinguem vários postos de trabalhos, direta e indiretamente ligados ao segmento.

Surgimento de Uma Nova Era

Entretanto, é precoce decretar o fim das salas de cinema. Afinal, antes da pandemia os estúdios que, gastam rios de dinheiro para lançar um filme, ficavam com 50% das bilheterias. No caso dos grandes lançamentos, isso significa que seus custos normalmente já eram amortizados com a venda dos tickets, garantindo a rentabilização com a chegada do título em outros formatos. Já no streaming, a porcentagem é de 80% para o estúdio e 20% para os exibidores, desfavorecendo assim o lançamento de títulos menores no circuito exibidor, sobretudo nas grandes redes. Este raciocínio parece apontar que os grandes blockbusters devem seguir dominando as salas que sobreviverem a pandemia. Mas diante de tantas incertezas, até mesmo lançamentos como “Mulher Maravilha 1984”, “Viúva Negra’ e o novo 007 tiveram suas estreias adiadas. O fato é que o pós COVID-19 marcará também uma nova era para a indústria cinematográfica com uma reorganização entre os players mais convergentes com os hábitos do público, as possibilidades tecnológicas disponíveis e, obviamente, a questão financeira entrando como um poderoso contraponto. Mas independente dos meios, para os cinéfilos, como a equipe da Rush Video, o importante é que 2020 vai deixar um legado de milhões de histórias e reflexões e os filmes seguirão retratando mais esta insólita aventura humana.

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