Quando se trata de estudar o Desenho de Produção num comercial, num vídeo ou num filme, é particularmente importante notar que tudo dentro do quadro foi meticulosamente posicionado, apoiado ou colocado lá por uma razão. Um bom diretor de arte pode conceber métodos criativos para ajudar a conduzir um roteiro. Os grandes designers de produção podem provocar em nós um certo humor ou influenciar nossos sentimentos mais interiores. É sobre o Diretor de Arte que vamos tratar um pouco hoje no blog da Rush Video.
Sem esse profissional, a vida do Diretor de Cena ficaria muito complicada, porque além da atenção aos atores, a iluminação e a câmera, existem os cenário e os adereços de cena que fazem toda a diferença numa produção. A verdade é que a direção de arte influencia diretamente na composição do filme, no posicionamento e movimento de atores e objetos dentro da filmagem. No momento em que a claquete estala e a câmera começa a rodar, o Diretor de Cena, com certeza, já terá trabalhado de perto com o Diretor de Arte para considerar todos esses elementos, decompondo em componentes o que está sendo dito exatamente em cada configuração de câmera, imagem ou quadro justapostos. Enfim, tudo afeta a estética geral do filme.
Em Hollywood, aqueles que produzem trabalhos visuais com um olho excepcional para esses detalhes são nomeados anualmente para o Oscar de Melhor Direção de Arte. Desde 1947 esse prêmio é atribuído a uma categoria, mas saindo um pouco da nossa realidade no Brasil e pensando na indústria compartimentada de uma superprodução, esse prêmio em Hollywood deveria ser partilhado por todo um departamento (sim, há uma legião de pessoas envolvidas, do desenhista de produção ao diretor de arte, do criador das maquetes ao desenhistas e ilustradores).
Dentro da indústria, uma tendência que vem se sobressaindo cada vez mais, é a de diretores de arte que se tornam cineastas. Alguns deles são tão criativos, que acabam criando um mundo reconhecível, como Tim Burton (Edward Mãos de Tesoura), Wes Anderson (Grande Hotel Budapeste), Guillermo Del Toro (O Labirinto do Fauno), Jean Pierre Jeunet (O Fabuloso Destino de Amélie Poulain).
Tim Burton, por exemplo, criou um universo tão particular, que em menos de 30 segundos, um fã de cinema reconhece a assinatura dele. Claro a empatia de Burton pelo mundo dos monstros é identificável, mas olha que curioso: o cinema de Guillermo Del Toro também valoriza criaturas bestiais, mas a ambientação é completamente diferente.
Por trás dessa identificação automática as opções estéticas diferem em tudo: no uso de cores, na arquitetura dos cenários, no modo como a cena é iluminado, na forma como a câmera se move.
Filmar para esses diretores específicos, envolve de antemão uma pré-visualização altamente detalhada. Antes de ligar a câmera para filmar Amélie Poulain, Jean Pierre Jeneut, desenhou meticulosamente cada cenário e produziu um storyboard com mais de 400 desenhos.
Na tela a gente sente a riqueza de uma visão hiper elaborada, mas às vezes não imagina que pra sair do papel e chegar numa tela, um filme destes (quando não tem problemas de patrocínio) leva um tempão pra ficar pronto. Quem duvida, veja só: Para realizar Dumbo, do papel a finalização, Tim Burton levou 265 dias; para produzir O Grande Hotel Budapeste, Wes Anderson levou 232.