Na Rush Video sempre que sobra um tempo pra equipe se confraternizar, a diversão é reunir a galera pra pegar um cinema e ver o que os filmes de Hollywood estão trazendo de novidade tecnológica. “Vingadores: Ultimato” foi o último filme que proporcionou essa excursão da turma. O que impressiona neste Vingadores é como a tecnologia de captura de movimento vem sendo amplamente utilizada. Muitos dos personagens extraterrestres em cena nem usam maquiagem, o rosto é todo recriado digitalmente em CGI (Computer-Generated Imagery). O grau de realismo até uns 10 anos atrás era destruído pela falta de brilho humano nos olhos, mas atualmente nem esse detalhe escapa.
Isso acho que vem desde o último filme da série “Planeta dos Macacos” (de 2017). A malha de animação reconstruída a partir do conjunto de dados de captura de desempenho fez todo mundo acreditar que estamos diante de chipanzés e gorilas altamente civilizados, e não de atores que fizeram boa parte do trabalho para nos convencer.
Outro momento surpreendente de “Vingadores: Ultimato”, acontece num pequeno trecho onde vemos o ator Chris Evans, o Capitão América, bem velhinho.
Isso de certa forma remete a origem desta tecnologia de captura de movimentos. O pioneirismo desta técnica aconteceu graças a trilogia “O Senhor dos Anéis”. Peter Jackson fundou um estúdio de efeitos visuais, a Weta Digital na Nova Zelândia, e contratou um exército de técnicos para pensar em como tornar convincente uma criatura digital como o Gollum, um ser que é descrito no livro de J.R.R. Tolkien, como um monstro ardiloso, cheio de emoções humanas contraditórias.
Depois de muitos testes, os técnicos de efeitos montaram a primeira FACs, um Sistema de Codificação de Ação Facial (a grosso modo, uma espécie de scanner) capaz de rastrear cada músculo facial de um ator para depois usá-lo como molde de um ser virtual. Muito do sucesso do personagem do Gollum, com certeza, se deveu a habilidade do ator inglês Andy Serkis em colocar suas expressões e sua voz na criatura, mas a contribuição dos artistas da Weta Digital foram igualmente fundamentais.
O passo seguinte nesta evolução aconteceu em O Curioso Caso de Benjamin Button (2008). Neste filme, agora não se tratava mais de usar um rosto humano para ser marionete de uma criatura digital, mas de buscar o requinte de envelhecer Brad Pitt até os 87 anos, e mostrar seu progressivo rejuvenescimento, sem o uso da maquiagem tradicional.
De novo, existe uma engenharia de mundo quase subterrânea no filme, que vai sendo construída sem que a maioria se dê conta, e a investigação aqui gira em torno dos paroxismos das reações num rosto humano: como captar as centenas de expressões do ator e reconsiderá-las numa versão dele um pouco mais velho, depois velho e ainda depois ultra mais velho? Os técnicos que trabalharam no filme sofisticaram o Sistema de Codificação da Ação Facial, para capturar através de uma pintura (feita a base de fósforo) no rosto do ator, não só os movimentos da musculatura facial, mas a superfície de tensão da própria pele, dos movimentos dos vincos, das covinhas, rugas e dos próprios ossos.
A digitalização se converteu em 100 mil polígonos que se tornaram o alicerce para criar uma cabeça digital de Brad Pitt com 87 anos, com 77, com 67 e com 57, e depois com 27 anos e 17. O fascinante é saber que é Pitt, com suas expressões genuínas, que interpreta todos essas idades, mas elas passam por um processo de reobjetivação poligonal para tornar convincente as emoções do personagem tanto em seu envelhecimento como no progressivo rejuvenescimento. E o certo é que com as pesquisas específicas feitas para o filme, a dinâmica da representação do ator ganha novas possibilidades, e a tecnologia se coloca aqui como extensão da experiência humana.
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