INCENTIVOS AO AUDIOVISUAL NO BRASIL

O setor audiovisual brasileiro é um dos mais vibrantes e diversificados da América Latina, com uma rica tradição cinematográfica e uma produção televisiva reconhecida internacionalmente. Para sustentar e fomentar esta indústria, o Brasil implantou uma série de incentivos e políticas públicas ao longo dos anos. Estes incentivos se constituem uma ferramenta fundamental para o desenvolvimento do setor no Brasil, impulsionando o país como um polo produtor de relevância, sendo essenciais para garantir a continuidade da produção local, promover a diversidade cultural, fortalecer a economia criativa, além de gerar centenas de empregos diretos e indiretos. E se engana quem pensa que esta é uma estratégia verde e amarela.

As políticas fiscais de incentivo ao audiovisual são utilizadas por países expoentes no setor, como Canadá e Estados Unidos, por exemplo. O primeiro possui um dos sistemas mais antigos e bem-sucedidos, e os Estados Unidos, embora não ofereçam a nível federal nenhum programa abrangente, têm sólidas ações em diversos estados, como Califórnia, Nova York e Geórgia. O mesmo vale para o Reino Unido, que oferece créditos de imposto para gastos qualificados e isenção de impostos sobre lucros reinvestidos. A França, por sua vez, aposta em projetos de coprodução internacional e na promoção da cultura francesa.

O que são incentivos fiscais ao audiovisual?

Incentivos fiscais são benefícios concedidos pelo Governo Federal a empresas e pessoas físicas que investem em determinados setores da economia. A Lei do Audiovisual (Lei nº 8.685/93) é o principal marco legal para o fomento à produção audiovisual no Brasil. Esta lei estabelece os critérios e procedimentos para a concessão de incentivos fiscais a projetos audiovisuais, além de definir as atribuições da Agência Nacional do Cinema (Ancine) na gestão do sistema de incentivos. Criada em 2001, a Ancine desempenha um papel crucial na formulação de políticas públicas, regulação do mercado e promoção de conteúdos nacionais.

No caso do cinema e da televisão, estes incentivos geralmente consistem na possibilidade de deduzir do imposto de renda os valores investidos em projetos pré-aprovados pelo Ancine.  Os investidores podem deduzir até 4% do Imposto de Renda devido, em se tratando de empresas, e até 6%, no caso de pessoas físicas, desde que esses recursos sejam aplicados na produção de obras audiovisuais brasileiras. Este incentivo tem sido fundamental para atrair investimentos privados e complementar o financiamento público, viabilizando a produção de muitos filmes e séries.

Existe ainda a Lei Rouanet (Lei n.º 8.313/91), mas esta possui um escopo mais amplo, abrangendo todas as manifestações culturais, desde artes visuais, música, teatro até projetos sociais com viés cultural. Ao contrário da Lei do Audiovisual, que se ampara em critérios mais técnicos de seleção e uma gestão mais centralizada pela Ancine, a gestão dos recursos captados é de responsabilidade do proponente que, ao final, precisa prestar contas de todos os seus gastos. Talvez por isso, a Lei Rouanet enfrente críticas e desafios, sendo acusada de concentrar recursos em grandes projetos e em determinadas regiões do país, falta de transparência na gestão dos recursos captados e o excesso de burocracia para a aprovação dos projetos. Por isso, o Decreto 11.453/2023, promulgado ano passado, trouxe novas regras com o objetivo de torná-la mais eficiente e democrática.

Como funcionam os incentivos fiscais na prática?

Para obter os incentivos fiscais, os produtores audiovisuais devem apresentar seus projetos à Ancine, que os avalia de acordo com critérios técnicos e artísticos. Os projetos aprovados são incluídos em um catálogo eletrônico, onde empresas e pessoas físicas podem escolher aqueles que desejam patrocinar.

Fundo Setorial do Audiovisual (FSA)

Outro instrumento de incentivo ao audiovisual gerido pela ANCINE é o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA). Criado em 2006, o FSA é um fundo público destinado a financiar a produção, distribuição e exibição de obras audiovisuais brasileiras. O fundo é alimentado por diversas fontes, incluindo a Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional (CONDECINE), um tributo cobrado sobre a exploração comercial de obras audiovisuais.

O FSA apoia projetos em todas as etapas de produção, desde o desenvolvimento de roteiros até a finalização e distribuição. Além disso, o fundo é segmentado em diferentes linhas de investimento, que abrangem desde produções de grande orçamento até produções independentes e experimentais. Este apoio abrangente garante que uma ampla variedade de conteúdos possa ser produzida, refletindo a diversidade cultural e regional do Brasil.

Programas Regionais e Locais

Além dos incentivos federais, diversas regiões e estados brasileiros também possuem seus próprios programas de apoio à produção audiovisual. Estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco e Minas Gerais possuem fundos e linhas de financiamento específicas para o setor. Estes programas regionais são essenciais para descentralizar a produção audiovisual e fomentar a criação de conteúdos que reflitam a diversidade cultural de diferentes partes do país.

O Programa de Fomento ao Audiovisual Paulista (PROAC-SP), por exemplo, oferece subsídios e apoio técnico para a produção de filmes, séries e outros conteúdos audiovisuais no estado de São Paulo. Da mesma forma, o Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura) tem sido um importante impulsionador da produção audiovisual no Nordeste, apoiando projetos que retratam a rica cultura e história da região.

Embora não haja estatísticas oficiais, entidades ligadas ao setor estimam que a indústria audiovisual brasileira gerou em 2023, entre 600 mil e 700 mil empregos, entre postos de trabalho diretos, indiretos e induzidos, movimentando algo em torno de R$ 25 bilhões e R$ 35 bilhões. Vale ressaltar que este segmento possui um impacto multiplicador na economia, ou seja: cada real investido na produção audiovisual abre uma cadeia de investimentos,  considerando gastos com mão de obra, equipamentos e diversos serviços, necessários para viabilizar uma produção. Portanto, a manutenção e aprimoramento destes incentivos são fundamentais para o desenvolvimento e a sustentabilidade da indústria audiovisual em nosso país, garantindo que o Brasil continue sendo mundialmente referenciado como um polo de criatividade e inovação.

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