CONHEÇA OS PRINCIPAIS IMPACTOS DO USO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NO AUDIOVISUAL E NAS MÍDIAS EM GERAL

 

O uso da inteligência artificial no audiovisual ainda divide opiniões. De um lado, está o
grupo dos entusiastas, cada vez mais numeroso, exaltando as evidentes vantagens;
mas do outro ainda persiste uma grande massa de receosos. As vantagens, de fato, são
consistentes e bastante atraentes. De acordo com o relatório “ Creativity at a
Crossroads ” (A Criatividade em uma Encruzilhada), da Dentsu, 86% dos líderes de
marketing acreditam que a IA vai melhorar a eficiência na área, uma constatação
inequívoca. Afinal, é fato que o recurso vai, cada vez mais, promover a otimização das
tarefas mais técnicas, garantindo aos profissionais mais tempo para desenvolver as
demandas criativas, o que é um ganho inestimável para áreas que envolvem criação,
como o audiovisual, por exemplo.

Contudo, são igualmente legítimas as preocupações sobre o uso e aplicação de
soluções pautadas na inteligência artificial. Para começar, a tecnologia está avançando
em passos mais largos do que temos sido capazes de acompanhar. A velocidade é
tamanha que não estamos conseguindo calcular os impactos no mesmo compasso que
as inovações acontecem. Assim, fica difícil antecipar as novidades e ir gradativamente
nos adequando a nova realidade. Não é segredo para ninguém que a automação de
tarefas pela IA pode levar à perda de empregos em alguns setores, sobretudo naqueles
que envolvem atividades repetitivas e manuais, o que pode aumentar a desigualdade
social e criar novos desafios para a sociedade como um todo.

Dentro deste novo e surpreendente cenário, o estudo “ The Pace of Progress ” (O Ritmo
do Progresso), também promovido pela Dentsu, que antecipa algumas tendências de
IA para 2024, aponta a Inteligência Artificial Generativa (IAG) como um dos tópicos que
merecem toda a nossa atenção.

A IA e a produção de conteúdo

A Inteligência Artificial Generativa, tecnologia emergente está ganhando cada vez mais
força, sendo aplicável nos mais diversos setores da nossa sociedade Em poucas
palavras, podemos dizer que IAG permite, através da análise de grandes conjuntos de
dados, disponíveis numa base e, portanto, desenvolvidos por pessoas reais, criar novos
conteúdos, abrindo um universo de possibilidades e oportunidades. Com esta
inovação, são transpostas, por exemplo, as barreiras para a produção de textos,
imagens e até músicas com o uso de ferramentas que já estão ao alcance de todos,
como ChatGPT, Mubert, e o Gemini (antigo Bard, ferramenta de IA do Google). Isso
significa que já é possível criar um roteiro (ou pelo menos uma primeira versão)
inserindo comandos sobre como você deseja que o conteúdo seja formatado. Mas a
grande questão é: apesar de possível, esta é uma alternativa recomendável?

 

É justamente neste ponto que se iniciam os desafios de lidar com conteúdo gerado por
máquinas. Para começar, é preciso avaliar à qualidade do material criado, lembrando
que erros, inclusive de informação, ainda são frequentes. A IAG pode também criar
deepfakes, que são vídeos ou imagens manipuladas com o objetivo de espalhar
desinformação, podendo assim promover impactos negativos na democracia e na
confiança das pessoas nas instituições. Há ainda o risco de a IAG perpetuar vieses
extraídos dos dados utilizados para a composição destes novos conteúdos, levando à
discriminação contra grupos minoritários e à criação de sistemas injustos e
excludentes.Outra questão importante e que já está suscitando muita discussão é a questão dos
direitos autorais, já que a IA generativa faz uso de textos e imagens criados por
pessoas reais e agrupados numa base de dados. Grandes veículos de imprensa, como o
The New York Times, por exemplo, vêm tentando impedir que ferramentas de IA, sem
autorização, trabalhem em cima de material publicado.

Outro risco é a tendência que conteúdos acabem ficando parecidos entre si, uma vez
que muita gente vai se utilizar de ferramentas que se alimentam de uma mesma base
de dados. E é aí que entra a indispensável participação humana com sua capacidade
única de produzir soluções individualizadas e criativas, algo ainda intangível para a IAG.
Mas o fato é que a IAG já é uma realidade, um caminho sem volta. Porém é veemente
que estejamos plenamente conscientes dos riscos e desafios atrelados ao seu uso para
que possamos incorporá-la ao nosso cotidiano de forma responsável e ética. E para
isso é necessário à promoção de um debate aberto e transparente sobre as aplicações
e regras de utilização da IAG em todos os meios.

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