CHATGPT PROVOCA DISCUSSÕES SOBRE O USO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NO AUDIOVISUAL

Desde que o ChatGPT foi lançado, em novembro de 2022 as discussões sobre as aplicações da
Inteligência Artificial nas mais diversas áreas estão se ampliando, inclusive dentro do universo
audiovisual. Lançado como protótipo em novembro do ano passado e aberta ao público, a ferramenta –
desenvolvida pela OpenAI, uma startup de pesquisa em IA, fundada por Elon Musk – é, como ela própria
se autodefine, “um modelo de linguagem de inteligência artificial baseada na arquitetura do GPT
(Generative Pre-trained Transformer), treinada em uma vasta quantidade de dados de texto para gerar
respostas em linguagem natural em uma ampla variedade de tópicos”. Em outras palavras, o ChatGPT
tem a habilidade de entender a linguagem natural e gerar respostas escritas bastante coerentes e
relevantes, sendo uma solução poderosa para aprimorar a experiência do usuário em aplicativos de
chat, interagindo numa conversa como se fosse um ser humano. É capaz de aprender com as interações
do usuário, adaptar-se ao seu estilo de linguagem e fornecer respostas cada vez mais precisas e
personalizadas. Segundo artigo do AdAge, publicação americana sobre tendências do setor de marketing
e publicidade, as agências já estão se rendendo aos encantos da solução e recorrendo a ela para gerar
ideias para marcas, escrever resumos rápidos para clientes e criar esboços do TikTok

IA e o Audiovisual

A IA (inteligência artificial) também já está sendo utilizada para compor músicas, escrever histórias e
poesias. Embora os resultados não possam ser definidos exatamente como autênticos, mas sim uma
espécie de “plágio”, já que o sistema recorre a um banco de dados, a ferramenta já é capaz de replicar o
estilo de um criador, pautado em sua obra, criando um novo conteúdo, inédito. Na última edição do
SXSW (South by Southwest), festival anual de música, filmes e tecnologia que ocorre em Austin, Texas,
Estados Unidos, foram apresentados roteiros de filmes e séries criados, de forma autônoma, por
algoritmos. Mas a inciativa não é exatamente uma novidade no meio.

Algoritmos para escrever roteiros

Em 2016, o curta-metragem de ficção científica “Sunspring”, entrou para a história como o primeiro
filme totalmente escrito por um algoritmo de inteligência artificial chamado Jetson, que foi treinado em
roteiros de filmes de ficção científica. Criado pela equipe de produção do festival de filmes de ciência e
tecnologia, o Sci-Fi London 48 Hour Film Challenge, a produção tem um enredo surreal e confuso,
ambientado num futuro distópico, com falas e ações dos personagens que parecem desconectadas e,
por vezes, incoerentes. O problema, segundo especialistas, ocorreu porque o algoritmo usou uma
análise estatística de uma extensa seleção de roteiros já existentes, não se pautando no conteúdo, como
faz o ChatGPT.

Ação humana é indispensável

No entanto, conforme alerta a própria ChatGPT, embora ela possa gerar textos interessantes e
inovadores, ainda não é capaz de criar uma trama coerente e envolvente sozinha. Um roteirista humano
ainda é necessário para refinar a história, desenvolver personagens e criar diálogos que envolvam o
público. Mas inegável que, se bem utilizada, pode ser um recurso valioso para roteiristas que hoje já se
valem do uso de algoritmos de aprendizado de máquina para analisar grandes volumes de roteiros
existentes, identificando padrões em personagens, diálogos e tramas. Estas informações são compiladas e usadas para gerar um novo roteiro com grande possibilidade de sucesso, pois já traz ingredientes
testados e aprovados pelo público.

Aplicações

Mas estes são apenas alguns exemplos de como a IA está sendo usada na indústria do audiovisual com
extremo êxito. Não podemos nos esquecer, por exemplo, da evolução dos efeitos especiais, cada faz
mais realistas e convincentes e à medida que a tecnologia continua a evoluir, certamente novas
aplicações vão surgir a IA vai se estender a todas as etapas de produção de um conteúdo audiovisual,
dando mais celeridade ao processo.

Contudo, embora a tecnologia caminhe a passos largos ainda está longe de alcançar a inspiração
humana. Desprovida de consciência, a IA ainda não possui a nossa capacidade de sentir, de gerar novas
ideias e assim a completa substituição do homem pela inteligência artificial, pelo menos neste
segmento, ainda segue como obra de ficção.

Rush Video – Ideias em movimento.