BRASIL FAZ HISTÓRIA NA 78ª EDIÇÃO DO FESTIVAL DE CANNES

É Brasil! O cinema nacional segue fazendo história. Wagner Moura foi consagrado como o melhor ator na 78ª edição do Festival de Cannes por sua atuação em “Agente Secreto”, sendo o primeiro brasileiro a conquistar o cobiçado prêmio nesta categoria. Vale ressaltar que Fernanda Torres já havia vencido, em 1986, como atriz por sua performance em  “Eu Sei que vou Te Amar”. Kleber Mendonça Filho, em sua terceira indicação, foi eleito o melhor diretor, repetindo o feito de Glauber Rocha. A vitória da dupla não chega a ser uma grande surpresa, pois a produção foi ovacionada por 13 minutos após a sua exibição oficial e, mais cedo, antes das premiações principais, já havia conquistado o Prêmio da Crítica, que desde o início demonstrou entusiasmo em suas avaliações, com muitos veículos destacando a capacidade do filme de transportar o espectador para a Recife de 1977, em plena ditadura militar.  O elenco traz ainda nomes como Gabriel LeoneMaria Fernanda Cândido. “It was Just An Accident”, de Jafar Panahi (Israel) faturou a Palma de Ouro de melhor filme, honraria máxima e a francesa Nadia Melliti, de “La Petite Dernière”, venceu como melhor atriz.

O Festival 

O evento, um dos mais importantes da indústria cinematográfica mundial, foi realizado entre 13 e 24 de maio de 2025, na Côte d’Azur, no litoral francês. Mesmo antes do anúncio dos vencedores, o cinema brasileiro já figurava como um dos protagonistas, já que o Brasil foi escolhido para ser o país homenageado como parte da celebração de 200 anos das relações diplomáticas com a França. Liderada pela ministra da Cultura Margareth Menezes, a delegação oficial– composta por 65 pessoas, entre cineastas, produtores, atores e outros profissionais da área – participou de uma vasta programação com mostras de trabalhos, apresentações e eventos de networking, ampliando a visibilidade do cinema nacional em cenário internacional. 

Polêmicas

Como já é praxe, esta edição também foi marcada por uma série de polêmicas que transcenderam o cinema, envolvendo questões políticas, sociais e institucionais. As novas regras de vestimenta causaram um enorme burburinho ao limitar o uso de vestidos volumosos sob a alegação que atrapalham o fluxo de convidados e a ocupação dos assentos. A nudez também foi banida, numa decisão que acendeu debates sobre a liberdade de expressão e o controle do festival sobre a aparência dos participantes. O festival também atualizou as regras sobre os calçados, permitindo sapatos e sandálias elegantes com ou sem saltos, após anos de polêmicas sobre a pressão para que as mulheres usassem saltos altíssimos, desconfortáveis e responsáveis por vários incidentes no tapete vermelho.  A segurança do evento também foi alvo de críticas, com relatos de atrizes que tiveram problemas com a equipe, como empurrões e tentativas de expulsão do tapete vermelho. 

Mas as controvérsias não pararam por aí. O filme de abertura “Jeanne du Barry”, da cineasta Maïwenn Le Besco e estrelado por Johnny Depp, foi alvo de críticas devido à presença do astro que tem enfrentado acusações de violência doméstica, levantando questões sobre a responsabilidade do festival em selecionar filmes e a postura em relação a esses casos. Outros dois filmes exibidos no Festival também suscitaram controvérsias. “The Substance”, de Coralie Fargeat, foi atacado por sua violência explícita e conteúdo perturbador e “Eagles of the Republic”, de Tarik Saleh, teve sua seleção questionada sob o argumento de ostentar um roteiro previsível e por não aproveitar o potencial da premissa. Este é o último filme da trilogia do Cairo do cineasta, após “The Nile Hilton Incident” (2017) e “Boy from Heaven” (2022). 

Grandes Nomes 

 Edição deste ano teve a atriz francesa Juliette Binoche a frente do júri, que incluía nomes como a atriz Halle Berry e o colega Jeremy Strong, além da jornalista e escritora franco-marroquina Leila Slimani. Binoche  foi nomeada para o cargo em fevereiro de 2025, sucedendo Greta Gerwig, diretora de “Barbie”, que ocupou a posição na edição anterior. 

O ator Denzel Washington foi surpreendido com a Palma de Ouro honorária pelo conjunto de sua obra. O ator, que participou pela primeira vez do Festival de Cannes em sua carreira de 50 anos, foi homenageado antes da exibição de “Highest 2 Lowest”, dirigido por Spike Lee. O longa é um remake contemporâneo de “High and Low”, de Akira Kurosawa, ambientado em Nova York. Robert De Niro também recebeu a honraria. No entanto, sua premiação já havia sido anunciada anteriormente. 

Para completar o time de estrelas, Tom Cruise marcou presença para a estreia mundial de “Missão: Impossível – O Acerto Final”. O astro chegou acompanhado do diretor Christopher McQuarrie e do elenco, incluindo Hayley Atwell, Simon Pegg e Hannah Waddingham, causando enorme frisson, para a alegria dos paparazzi. 

Como já é tradição, a 78.ª edição do Festival entregou muito glamour, polêmicas, e uma seleção de filmes que devem movimentar a indústria do cinema nos próximos meses. Confira abaixo a lista completa com os vencedores. 

Palma de Ouro: It Was Just an Accident, de Jafar Panahi

Melhor Direção: Kleber Mendonça Filho, por O Agente Secreto

Melhor Ator: Wagner Moura, por O Agente Secreto

Melhor Atriz: Nadia Melliti, por La Petite Dernière

Prêmio do Júri: Sirat, de Oliver Laxe, e The Sound of Falling, de Mascha Schilinski

Grand Prix: Sentimental Value, de Joachim Trier

Melhor Roteiro: Young Mothers, de Jean-Pierre and Luc Dardenne

Prêmio Especial: Resurrection, de Bi Gan

Camera d’Or: The President’s Cake, de Hassan Hadi

Menção especial da Camera d’Or: My Father’s Shadow, de Akinola Davies Jr

Palma de Ouro para curta-metragem: I’m Glad You’re Dead Now, de Tawfeek Barhom

Menção especial da Palma de Ouro para curta-metragem: Ali, de Al Rajeev

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