Se você já é um profissional da área audiovisual ou até mesmo um entusiasta de cinema, é muito provável que você tenha ouvido falar em lentes anamórficas. Suas características podem ser notadas inclusive pelo espectador comum, mesmo que inconscientemente. Traremos neste artigo, algumas das principais características práticas de lentes anamórficas e esféricas, que podem trazer justamente esse efeito no subconsciente de quem assiste à um filme ou vídeo, passando desde suas estruturas, até suas diferenças e aplicações criativas, como faz o canal In Depth Cine , referência para este texto. 

 

O que são lentes anamórficas?

Para entender o que são de fato as lentes anamórficas, é necessário primeiro que se entenda como funcionam as lentes esféricas e o que é o super 35mm. Todas as objetivas (popularmente chamadas de lentes) são compostas de uma carcaça externa e vários elementos internos em forma de lentes, ou seja, existem várias lentes dentro de uma objetiva.   

As lentes esféricas são assim chamadas pois todos os seus elementos internos são esféricos, fazendo com que a luz passe por ela e atinja o sensor de maneira direta e não achatada. Já nas anamórficas, apenas os elementos da parte de trás são esféricos, se diferenciando dos da frente que são cilíndricos, dando uma aparência oval ao invés de circular quando olhamos por através dela.

Quando a luz passa por uma lente anamórfica e atinge o sensor, o que temos é uma imagem achatada que precisa ser regulada na pós produção para se chegar ao produto final. 

 

Anamórficas vs. Esféricas – As principais diferenças

Além das diferenças básicas que compõem ambos os tipos de lente a partir de suas estruturas, existem outras que valem a pena ser mencionadas. Como por exemplo  o Aspect Ratio das imagens geradas. Lentes anamórficas produzem imagens em widescreen (de proporções como: 2.35:1 e 2.39:1), ou seja, com a extensão maior de uma de suas dimensões fazendo com que ela pareça mais ‘longa’ para os lados do que normalmente uma lente esférica faria. Elas naturalmente já produzem imagens com as famosas ‘tarjas pretas’ nas partes superior e inferior do vídeo devido a essa extensão. Ao contrário das esféricas que tradicionalmente no cinema possuem um Aspect Ratio mais quadrado devido as películas super 35mm utilizadas para a filmagem, e de proporções como: 1.33:1 e 1.85:1.   

Alguns diretores de fotografia preferem filmar com lentes esféricas e depois apenas cortar o topo e a base dos vídeos, para passar a mesma sensação de proporção de uma anamórfica.  

Outra diferença entre esses dois tipos de objetiva é o bokeh produzido (que nada mais é do que a forma como pontos de luz se comportam quando fora de foco nas diferentes lentes). Devido a seus formatos e estruturas internas, esféricas tendem a apresentar um bokeh circular e mais nítido, enquanto anamórficas apresentam um bokeh em forma oval (lembrando muito pinturas impressionistas).   

Outras diferenças que são bem visíveis quando feita a comparação são as distorções, a nitidez e os flares trazidos por elas. 

Devido ao número reduzido de elementos que compõem as esféricas, a luz percorre um caminho menor até atingir o sensor. Isso faz com que elas tenham mecânicas mais simples proporcionando uma imagem muito mais nítida e com distorção mínima. Já nas anamórficas, como possuem uma complexidade bem maior em sua estrutura, a luz encontra um pouco mais de dificuldade para chegar ao sensor, isso reduz a nitidez e aumenta a distorção, criando um efeito conhecido como falloff no qual quanto mais próximos das extremidades da imagem, mais distorcidos ficam os objetos. 

Lentes anamórficas entretanto não são mil maravilhas, devido a sua complexidade elas costumam ter um preço bem mais elevado do que as esféricas, tanto para compra, quanto para aluguel. Elas também costumam ser mais escuras do que as esféricas justamente por todo o caminho que a luz precisa percorrer, seus stops acabam por ser mais espaçados. Enquanto uma esférica consegue ter sua abertura indo de 1.3 para 2, anamórficas vão direto de 2.8 para 4, por exemplo. Ou seja, isso acaba não se limitando somente a ela, uma vez que essa dificuldade em relação a claridade, exige que equipamentos de iluminação sejam alugados em maior número ou potência, podendo deixar a produção ainda mais cara. Além disso devido sua característica de ser mais wide, ela mostra bem mais do set de gravação, fazendo com que mais espaço tenha que ser preenchido com elementos de cenário, figurantes e afins. Elas também apresentam um número bem mais limitado de distância focal em relação às concorrentes.

 Assim como qualquer equipamento, a sua escolha vai variar de acordo com as necessidades artísticas de cada indivíduo que produz um vídeo ou filme. Não necessariamente uma é melhor do que a outra, ambas possuem características que as tornam únicas, e servem como meio de apresentar diferentes intenções.

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