APRESENTADORA VIRTUAL MARISA MAIÔ É A NOVA SENSAÇÃO DO AUDIOVISUAL BRASILEIRO 

Recentemente o audiovisual brasileiro foi sacudido pela estreia de Marisa Maiô, a primeira apresentadora virtual totalmente criada por inteligência artificial a conquistar espaço como figura pública no país. Com visual deepfake, voz sintética e humor afiado, a personagem criada pelo carioca Raony Phillips, responsável por outros hits, viralizou nas redes sociais e já protagonizou campanhas publicitárias de grandes marcas, como Magazine Luiza, abrindo um novo capítulo na convergência entre entretenimento, tecnologia e publicidade. Apesar do nome propositalmente tosco, o realismo dos vídeos impressiona e pode facilmente enganar até os olhos mais treinados, tamanha qualidade visual e sonora. A ideia é reproduzir um programa de auditório, em versão mundo cão, comandado por uma apresentadora que usa roupas de banho e salto alto, no melhor estilo concurso de miss. O resultado é impagável e o sucesso, num ambiente povoado por figuras rasas, pasteurizadas e insossas, inevitável.  

Viralização

O primeiro episódio de Marisa Maiô foi publicado em 3 de junho, nas plataformas Instagram, X e TikTok. A repercussão foi imediata: o vídeo alcançou mais de 1,7 milhão de visualizações no X, enquanto a segunda edição ultrapassou 2,3 milhões no Instagram. O sucesso foi tanto que o Magazine Luiza se interessou pela personagem, que acabo protagonizando uma de suas campanhas para o Dia dos Namorados. A ação gerou mais de 200 mil curtidas e quase 35 mil compartilhamentos em poucas horas

 Tecnologia por trás da IA

Marisa Maiô foi construída sobre modelos de IA que combinam deepfake visual e áudio sintético. Os primeiros vídeos usaram o Veo 2 do Google, que é a segunda versão do modelo de geração de vídeos por IA da Google DeepMind — lançada em dezembro de 2024 — que permite criar vídeos realistas a partir de textos ou imagens.. Já os posteriores foram criados o Veo 3, que garante maior realismo em fala e expressão facial. O resultado é um personagem extremamente convincente. Mas o segredo do sucesso não está amparado apenas na tecnologia, a atração acerta ao apostar numa linguagem coloquial, típica de programas de TV populares, além da escolha de temas polêmicos, sempre abordados com um humor acido.  

Desafios

Entretanto, a novidade, impõem desafios éticos e traz à tona a necessidade de regulamentação do uso de IA, colocando Marisa Maiô no centro de discussões sobre mídia sintética. Usuários e jornalistas questionam a capacidade da audiência de distinguir realidade e IA e a crescente necessidade de uma educação midiática, que ajude a discernir e compreender os conteúdos apresentados.  O tema também ecoa em debates jurídicos. Afinal, até que ponto uma figura pública digital merece os mesmos direitos de uma pessoa real? 

 O futuro das figuras de IA

Polêmicas à parte, Marisa Maiô chega também antecipando tendências. Uma delas é o uso de IA conversacional onde avatares serão capazes de interagir com plateias virtuais, entoando respostas em tempo real. Na publicidade, a personalização vai criar figuras digitais adaptáveis às marcas, com custo reduzido e distribuição escalável. Por fim, abre-se ainda um novo mercado para profissionais do audiovisual com o surgimento de roteiristas e produtores focados exclusivamente em conteúdo sintético.

Ponto de Virada

A verdade é que a chegada de Marisa Maiô representa um divisor de águas para o audiovisual nacional. Não se trata apenas de um experimento viral, mas do primeiro exemplo sólido de avatar digital com presença pública e contratos comerciais. Com humor, tecnologia avançada e estratégia de marketing bem sincronizada, a personagem abriu caminho para reimaginar o que é possível no terreno entre o real e o virtual.

Resta agora observar se o fenômeno será passageiro ou se estamos, de fato, entrando numa nova era onde figuras de IA podem alcançar o status de estrelas na indústria do entretenimento – dotadas de qualidades como personalidade marcante, autenticidade e presença, embora os atributos sejam fruto da mente de criadores de conteúdo. O cenário, sem dúvida, é palco perfeito para discussões sobre ética, regulamentação e impacto cultural — assim como o próprio uso de inteligência artificial como protagonista no audiovisual. Sem dúvida, o futuro do audiovisual reserva muitas novidades, polêmicas e discussões e a regulamentação do uso da IA se impõe como uma baliza necessária.   

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