BRASIL ESTÁ NA DISPUTA DO OSCAR 2025

 

O Brasil está no Oscar 2025. A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas divulgou no último dia 23 a lista dos concorrentes à 97ª edição da premiação e o drama histórico de Walter Salles, “Ainda Estou Aqui”, num feito inédito, teve três indicações: melhor filme internacional, melhor atriz para Fernanda Torres, que já faturou o Globo de Ouro por sua atuação, além de abrir espaço e conseguir uma vaga entre os dez indicados na categoria melhor filme. A cerimônia de entrega das cobiçadas estatuetas está prevista para o dia 2 de março, pleno domingo de Carnaval, no Dolby Theatre, em Hollywood. A julgar pela bilheteria do filme e pela reação entusiasmada do público nas redes sociais, o evento deve ser um aposto na folia do momo e canalizar às atenções de todo país. A cerimônia será exibida no Brasil a partir das 21h pela TNT e pela Max.

Baseado no livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva, publicado em 2015, o longa narra a história de Eunice Paiva, mãe do escritor, vivida por Fernanda Torres, numa performance magistral. Mãe de cinco filhos, ela vê sua vida virar do avesso quando seu marido, o deputado cassado Rubens Paiva (Selton Mello), é morto nos porões da ditadura militar, no início da década de 1970. Sucesso de público e crítica, a produção  conquistou o selo de “Fresh”, com uma aprovação de 94% da imprensa especializada, no  Rotten Tomatoes, agregador online de avaliações de críticos estrangeiros sobre filmes em geral. 

Adversários

O maior adversário de “Ainda Estou Aqui” é “Emilia Pérez”, drama do francês Jacques Audiard, que entrou na disputa com 13 indicações, um volume que traduz a força da campanha deste filme. Também estão no páreo “A Substância”, “Anora”, “O Brutalista”, “Um Completo Desconhecido”, “Conclave”, “Nickel Boys” , “Duna: Parte 2” e “Wicked”.

Já na categoria de Atriz, além de Fernanda, a disputa traz outras estrangeiras: a britânica Cynthia Erivo, indicada por “Wicked”, e a argentina Karla Sofía Gascón, por “Emilia Pérez”. As americanas Mikey Madison, de “Anora”, e Demi Moore, de “A Substância”, completam as lista que deixou de fora nomes consagrados, como Angelina Jolie (“Maria”), Nicole Kidman (“Babygirl”) e Pamela Anderson (“A Última Showgirl”). 

Operária padrão de Hollywood, Demi é apontada como a favorita. Vale lembrar que ela emocionou os presentes no Globo de Ouro, ao vencer como atriz de comédia ou musical, com um discurso contundente: “Há 30 anos, um produtor me disse que eu era uma ‘atriz de pipoca,’ e, naquela época, eu interpretei isso como se não tivesse direito a algo assim, que eu podia fazer filmes bem-sucedidos e lucrativos, mas que nunca seria reconhecida. Eu acreditei nisso, comprei essa ideia, e, ao longo do tempo, isso me corroeu, a ponto de eu pensar, há alguns anos, que talvez fosse o fim, que talvez eu já tivesse feito tudo o que deveria fazer”.

Paixão Nacional

Com esta indicação, Fernanda – que se transformou numa obsessão nacional, gerando uma movimentação sem precedentes nas redes do Globo de Ouro e agora da Academia de Artes Cinematográficas, responsável pelo Oscar – se torna a segunda brasileira indicada ao prêmio na categoria Melhor Atriz, sucedendo sua mãe, Fernanda Montenegro, indicada em 1999 por “Central do Brasil”, quando foi derrotada pela insossa Gwyneth Paltrow por sua atuação em “Shakespeare Apaixonado”.


Em entrevista à GloboNews, Fernanda Torres disse que não assistiu ao anúncio dos indicados. “Eu não estava na frente da televisão nem morta. Acordei com aquela angústia”, afirmou aos risos. Ela explicou ter sido acometida por um sentimento dúbio, de um lado o medo de decepcionar o público se não fosse indicada, por outro o trabalho que teria à frente, caso a indicação se concretizasse, conforme aconteceu. “É uma maratona, quando o filme foi ovacionado em Veneza eu entendi que a onda ia ser grande e eu ia ter que ter cabeça para ter calma e fazer o que fosse necessário, que eu não sabia o que era, sem enlouquecer”, afirmou. 

 

Após o anúncio dos indicados pela academia, a atriz publicou um vídeo comemorando. “Eu não tenho nem o que falar. Eu queria agradecer, claro, ao Walter, a generosidade que ele teve comigo nesse filme, ao fato do nosso filme estar indicado não só para filme de língua estrangeira, mas melhor filme do ano. Isso é uma coisa inimaginável”, pontuou. Ela também agradeceu a equipe. “Foi um filme que a gente fez na felicidade. E, acima de tudo, eu quero agradecer e homenagear essa mulher extraordinária chamada Eunice Paiva, que está por trás disso tudo, que é a geradora disso tudo.”, explicou. E por fim, exaltou o papel de Marcelo Paiva, filho de Eunice na vida real. “E ao Marcelo Paiva, que escreveu esse livro extraordinário e que nos possibilitou fazer esse filme. Eu jamais vou esquecer. É uma coisa histórica, é uma coisa emocionante para mim, pela minha mãe ter estado nesse lugar 25 anos atrás, pelas mãos do Walter”, finalizou.

 

Chico Paiva, neto do ex-deputado Rubens Paiva, disse durante uma entrevista ao UOL News, do Canal UOL, que a indicação de “Ainda Estou Aqui” ao Oscar é uma retratação histórica. “É o final feliz para uma tragédia que começou lá atrás”, afirmou. 

 

Foto: Fernanda Torres em clique publicado pela Academia de Hollywood (Sami Drasin/Reprodução).  

 

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