GOTHAM TV AWARDS 2025 APONTA FAVORITOS PARA O EMMY E CELEBRA  A INOVAÇÃO NA TELEVISÃO AMERICANA

A temporada de premiações da televisão americana ainda não foi aberta oficialmente — a lista de inscritos para o Emmy 2025 será divulgada apenas em 12 de junho —, mas os primeiros sinais de quais produções devem dominar o circuito já começaram a aparecer. A principal prévia veio com a realização da segunda edição do Gotham TV Awards, que aconteceu em 2 de junho, em Nova York. A cerimônia, promovida pelo Gotham Film & Media Institute, reforçou o prestígio crescente do evento e destacou produções que prometem brilhar também no Emmy, incluindo Adolescência (Netflix), The Pitt (Max) e O Estúdio (Apple TV+). Realizado no elegante Cipriani Wall Street, o Gotham TV Awards é uma votação anual voltada exclusivamente para celebrar as melhore séries lançadas nos últimos 12 meses — uma maneira de dar visibilidade a produções inovadoras e, muitas vezes, fora do radar das grandes premiações. Apesar de ainda jovem, o prêmio tem se consolidado como uma importante vitrine, ajudando a projetar produções recém-lançadas.

Adolescência lidera a corrida

Grande destaque da noite, a minissérie “Adolescência”, da Netflix – que tem cada um dos seus quatro episódios filmado inteiramente em plano sequência, criando uma experiência imersiva para o espectador – venceu nas três categorias em que estava indicada. Levou o prêmio de Melhor Série Limitada, além de garantir estatuetas para Stephen Graham (melhor atuação principal em série limitada) e Owen Cooper (melhor atuação coadjuvante), que dividiu a honra com Jenny Slate, da série “Morrendo por Sexo”, disponível no Disney+. 

 

“Adolescência”, que aborda temas como bullying e misoginia ao narrar a história de um adolescente de 13 anos, que é preso sob acusação de matar uma colega de escola, é um dos maiores fenômenos da Netflix, com mais de 66 milhões de visualizações em menos de duas semanas. A produção já desponta como a favorita para a próxima temporada de premiações, podendo repetir o feito de Bebê Rena (2024), que também venceu no Gotham antes de faturar o Emmy, o Globo de Ouro e o Critics’ Choice.

Diversidade nos prêmios de drama e comédia

Nas categorias de drama, o prêmio de Melhor Série ficou com “The Pitt”, da plataforma Max, que acompanha a vida dos profissionais de saúde em um hospital de Pittsburgh, nos Estados Unidos. Cada episódio cobre um turno de 15 horas na sala de emergência. Já a veterana Kathy Bates foi reconhecida por sua atuação em “Matlock”, produção da CBS ainda inédita no Brasil, e Ben Whishaw conquistou o prêmio de melhor ator coadjuvante por “Black Doves”, da Netflix. Um detalhe importante da premiação é que o Gotham não faz distinção de gênero entre os intérpretes, promovendo maior inclusão e reconhecimento igualitário.

O humor também tem espaço de destaque na premiação. “O Estúdio”, da Apple TV+, foi eleita a Melhor Comédia Estreante. Julio Torres venceu por sua atuação na série “Fantasmas” (Max), e Poorna Jagannathan recebeu a estatueta de coadjuvante por “Deli Boys”, do Disney+. 

A importância do Gotham TV Awards

Apesar de não possuir o mesmo alcance midiático que o Emmy, o Gotham TV Awards se estabeleceu como um dos prêmios mais respeitados entre críticos e profissionais do setor, sobretudo por seu compromisso com a originalidade, a independência criativa e a diversidade. O evento valoriza produções de alto valor artístico e narrativas ousadas, muitas vezes ignoradas por premiações mais comerciais.

Outro diferencial é a curadoria: os indicados são selecionados por comitês especializados e os vencedores são escolhidos por painéis compostos por roteiristas, diretores, atores e produtores — o que garante um julgamento criterioso e tecnicamente fundamentado. Como resultado, muitas das séries reconhecidas no Gotham acabam ganhando fôlego e visibilidade para concorrer em outras premiações maiores.

O papel do Gotham Film & Media Institute

Por trás do prêmio está o Gotham Film & Media Institute, organização sem fins lucrativos com sede em Nova York. Fundado em 1991, o instituto era originalmente conhecido como Independent Filmmaker Project (IFP), sendo rebatizado para The Gotham em 2020, a fim de refletir melhor seu papel no ecossistema criativo contemporâneo.

O instituto se dedica a apoiar criadores independentes em todas as etapas de produção — da escrita à distribuição. Entre suas iniciativas estão mentorias, laboratórios de roteiro, programas de financiamento e eventos de networking. Além do Gotham TV Awards, a instituição também organiza o Gotham Awards (dedicado ao cinema) e a Gotham Week, voltada para o mercado de pitch e conexões entre criadores e investidores.

Com esse trabalho de base, o Gotham Film & Media Institute tem sido fundamental para lançar e consolidar carreiras de nomes importantes do cinema e da TV independentes, como Barry Jenkins (Moonlight), Greta Gerwig (Lady Bird) e muitos outros talentos emergentes.

Confira os vencedores da 2ª edição do Gotham TV Awards 

Melhor série de drama
Black Doves (Netflix)
Cem Anos de Solidão (Netflix)
Para Sempre (Netflix)
Matlock (inédita no Brasil)
The Pitt (Max)

Melhor série limitada
Adolescência (Netflix)
Morrendo por Sexo (Disney+)
Millie Black (Max)
Penelope (Netflix)
Não Diga Nada (Disney+)

Melhor atuação principal em comédia
Ted Danson – Um Espião Infiltrado
Anna Lambe – Ao Norte do Norte
Saagar Shaikh – Deli Boys
Benito Skinner – Muito Esforçado
Julio Torres – Fantasmas

Melhor atuação coadjuvante em comédia
Poorna Jagannathan – Deli Boys
Linda Lavin – Modernos de Meia Idade
Sean Patton – O Professor
Timothy Simons – Ninguém Quer
Chase Sui Wonders O Estúdio

Melhor atuação principal em série limitada
Stephen Graham – Adolescência
Brian Tyree Henry – Ladrões de Drogas
Cristin Milioti – Pinguim
Megan Stott – Penelope
Michelle Williams – Morrendo por Sexo

Melhor atuação coadjuvante em série limitada
Owen Cooper – Adolescência
Erin Doherty – Adolescência
Taraji P. Henson – Fight Night: The Million Dollar Heist
Diego Luna – A Máquina
Jenny Slate – Morrendo por Sexo

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