NETFLIX E VIDEOCASTS: UMA NOVA FRONTEIRA PARA O STREAMING?

Nos últimos anos, os podcasts em áudio e, mais recentemente, os videocasts têm registrado um crescimento significativo. Observando essa tendência e o sucesso de concorrentes nesse segmento, como YouTube e Spotify, a Netflix também tem demonstrado interesse em surfas nesta onda, que a julgar pelos números mais parece um tsunami. Apenas nos primeiros cinco meses de 2024, os videocasts alcançaram 2,9 bilhões de minutos assistidos, representando um crescimento de 58% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Segundo dados apurados pela Edison Podcast Metrics – único serviço de medição de podcasts que avalia a audiência com base na escuta, e não nos downloads, abrangendo todas as redes, programas e plataformas – 89% da Geração Z , que agrega os nascidos entre 1995 e 2010, assistem podcasts com vídeo, o que indica que o mercado tem migrado para esse formato. A pergunta que não quer calar, portanto é: será que a Netflix, gigante do streaming, que passou as últimas duas décadas transformando o mercado de TV, vai entrar também no segmento dos videocasts?

Segundo o Business Insider – portal de notícias e mídia digital especializado em negócios, tecnologia, mercados financeiros e economia, fontes do setor, familiarizadas com a estratégia da Netflix, afirmaram que no ano passado a plataforma chegou a considerar um acordo com Alex Cooper, do podcast “Call Her Daddy”, um dos videocasts mais famosos nos Estados Unidos, no segmento de lifestyle e cultura pop, com mais de 1 milhão de inscritos no YouTube. No entanto, Cooper acabou fechando um contrato com a SiriusXM, empresa de mídia e entretenimento americana, especializada em podcasts. As mesmas fontes ainda declararam ao Insider que executivos da Netflix já consideram a ideia de contratar talentos do podcasting para apresentar programas em vídeo baseados em conversas. Inicialmente, a empresa demonstrava ceticismo sobre a viabilidade desse formato em sua plataforma, porém agora já estuda formatos e nomes com fortes bases de fãs que ajudem a atrair mais público e novos assinantes. Afinal, trata-se de uma maneira de obter um volume significativo de conteúdo por uma fração do custo dos orçamentos de de filmes e séries. 

Mercado milionário

O YouTube, tradicionalmente conhecido como a principal plataforma para conteúdo em vídeo, tornou-se o serviço mais popular para a escuta de podcasts nos Estados Unidos. De acordo com o Edison Podcast Metrics, 31% dos ouvintes semanais de podcasts com 13 anos ou mais escolhem a plataforma para ouvir seus programas, superando o Spotify (27%) e o Apple Podcasts (15%). 

Há alguns anos, o YouTube parecia uma plataforma improvável para podcasts. No entanto, à medida que o universo do podcasting se expande, muitos criadores passaram a investir no videocast, gravando seus programas tanto em formato de áudio quanto de vídeo. É uma tendência crescente. E um dos principais fatores impulsionando a popularidade do YouTube é o grande número de ouvintes mais jovens que sintonizam a plataforma semanalmente, especialmente a Geração Z. Para este público, a possibilidade de assistir aos seus podcasters favoritos, e não apenas ouvi-los, adiciona um nível extra de engajamento que plataformas de áudio tradicionais não oferecem, já que a  interseção entre conteúdo de vídeo e áudio possibilita experiências mais dinâmicas e envolventes, que beneficiam tanto ouvintes, como os criadores. O Gen Z Podcast Listener Report, realizado pela Edison Research em parceria com a SXM Media, apontou que 49% dos ouvintes mensais da Geração Z afirmam que o vídeo proporciona uma melhor compreensão do contexto e do tom por meio de expressões faciais e gestos, enquanto 45% dizem sentir uma conexão maior com os podcasters ao assistir aos videocasts.

Mas isso, contudo, não significa que videocast vai substituir o podcast tradicional, É uma evolução natural do formato, com potencial para atrair mais criadores e marcas que buscam maior engajamento e retorno financeiro. No Brasil, essa tendência se reflete no aumento do consumo de videocasts no YouTube e no investimento de plataformas como o Spotify, que agora permite uploads de vídeos para podcasts. Neste contexto, as preferências da Geração Z estão redefinindo o cenário do podcasting, e o YouTube está especialmente bem posicionado para atender a esses novos hábitos de consumo. Mas ao que parece a hegemonia não deve durar muito.

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