FESTIVAL DE VENEZA: O BRILHO DO CINEMA BRASILEIRO E OS DESTAQUES DA 81ª EDIÇÃO
O cinema brasileiro este ano foi um dos destaques do Festival de Veneza, um dos mais antigos e prestigiados eventos da indústria cinematográfica mundial. O longa “Ainda Estou Aqui”, dirigido por Walter Salles, conquistou o prêmio de Melhor Roteiro para Murilo Hauser e Heitor Lorega, gerando expectativas para uma indicação no Oscar de 2025. Baseada na biografia de mesmo nome, assinada por Marcelo Rubens Paiva, a história que se passa no Rio de Janeiro, na década de 1970, em plena ditadura militar, cativou a crítica e o público, ao fazer uma profunda imersão na história recente do nosso país. Também merecem destaque as atuações de Fernanda Torres e Selton Mello, que dão vida aos personagens centrais, além da fotografia impecável e a envolvente trilha sonora.
O Brasil Celebra a Representatividade
Os roteiristas Murilo Hauser e Heitor Lorega, em seus discursos de agradecimento, dedicaram o prêmio a todas as “Eunices” e “Paivas” do Brasil, referindo-se aos personagens do filme e, por extensão, a todas as famílias que vivenciaram as marcas da ditadura militar. A homenagem reforçou a importância de manter sempre viva a memória histórica.
Outros Destaques
Mas o cobiçado Leão de Ouro foi para “La Habitación de al lado”, uma reflexão sobre a vida, a morte e a eutanásia, do cineasta espanhol Pedro Almodóvar. Em sua exibição de gala, para convidados, a produção foi ovacionado durante 18 minutos. Estrelado por Tilda Swinton, Julianne Moore, John Turturro e Alessandro Nivola, este é o primeiro título do diretor falado em inglês e também o primeiro a receber o prêmio principal num festival de cinema da magnitude de Veneza. A película acompanha a trajetória de duas amigas de infância que se separam durante a vida adulta. Enquanto uma embarca de cabeça nos romances de autoficção, a outra se transforma em repórter de guerra. Anos após se afastarem, as duas são reunidas pelo destino quando uma delas pede ajuda a outra para acabar com sua própria vida e assim dar fim a uma luta perdida contra o câncer.
Nicole Kidman e Vincent Lindon ficaram com os prêmios de Melhor Atriz e Ator, respectivamente, por suas performances em “Babygirl” e “L’Origine”. A prestigiada artista acabou não comparecendo à cerimônia para receber sua estatueta, pois havia acabado de perder a mãe, Janelle Ann Kidman. Coube a diretora do filme, Halina Reijn, receber a estatueta e ler um discurso deixado por ela: “estou em choque e tenho que ficar com minha família, mas esse prêmio é para ela… Estou mais que honrada de poder dizer seu nome para todos vocês. A colisão da vida com a arte é devastadora, e meu coração está partido”, dizia a mensagem.
Brady Corbet, por sua vez, levou o prêmio de Melhor Direção por “The Brutalist”, um drama psicológico que explora temas como poder e violência, ao fazer um mergulho na formação dos Estados Unidos a partir da história de um arquiteto húngaro, que sobrevive a um campo de concentração na Europa e encontra a possibilidade de refazer sua vida no novo mundo. Apesar de fictício, o personagem central é uma espécie de síntese do imigrante que garantiu a edificação da próspera nação americana.
Merecidas, as premiações não trouxeram nenhuma grande surpresa ou injustiça. O momento inesperado, contudo, veio durante a entrega do Grande Prêmio do Júri, o segundo mais cobiçado do evento. Causou comoção a vitória da italiana Maura Delpero por “Vermiglio”, que acompanha o cotidiano de moradores de um vilarejo no norte da Itália, nos últimos anos da Segunda Guerra Mundial.
Veja abaixo a lista dos vencedores do Festival Internacional de Cinema de Veneza
- Leão de Ouro de Melhor Filme: “The Room Next Door”, de Pedro Almodóvar
- Leão de Prata de Melhor Diretor: Brady Corbet, por “The Brutalist”
- Grande Prêmio do Júri: “Vermiglio”, de Maura Delpero
- Prêmio Especial do Júri: “April”, de Dea Kulumbegashvili
- Copa Volpi de Melhor Atriz: Nicole Kidman, por “Babygirl”
- Copa Volpi de Melhor Ator: Vincent Lindon, por “The Quiet Son”
- Melhor Roteiro: Murilo Hauser e Heitor Lorega, por “Ainda Estou Aqui”
- Prêmio Marcello Mastroianni (atuação iniciante): Paul Kircher, por “And their Children After Them”
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